Mediada pela própria Secretária de Cultura, Adriana Rattes, a mesa Futuro.Agora foi a mais concorrida, mais aplaudida e mais polêmica do dia.
A controvérsia começou com o curador Marcello Dantas, que criticou o excesso de autoreferencialidade do Rio de Janeiro e o que chamou de “um enorme apartheid” escondido pelas belas paisagens da zona Sul da cidade. Oskar Metsavaht discordou. O dono da marca Osklen acha que o Rio é um cidade do mundo, tese confirmada pelo inglês Paul Heritage, promotor da cultura brasileira no Reino Unido.
A pluriartista Bia Lessa sabia que chocaria a plateia ao anunciar ser favorável ao mecenato na arte como forma de evitar o malefício da influência do mercado: “Vou ser vaiada, mas acho que se deve pensar arte como se pensa pesquisa científica. Aliás, é na ciência que está o futuro da arte. Nós, artistas, não sabemos o que temos que fazer, estamos muito aquém de nosso tempo”. Ao contrário do que esperada, foi calorosamente ovacionada.
Em resposta à fala de Bia Lessa, o físico e doutor em cosmologia Luiz Alberto Oliveira lembrou que arte e ciência de fato têm em comum o fato de mergulharem no desconhecido. “A ciência vai transformar nossa vida, do mesmo modo em que, em outros momento, a arte o fez. A cultura nas próximas décadas terá como função de realizar o que faz de melhor, que é inventar nova gente”, resumiu.
Ao exercício de futurismo, o aclamado artista Vik Muniz acrescentou a promissora situação para a cidade trazida pelo calendário que culmina em 2016. “Estamos inundados de boas notícias. Há décadas isso não acontece. Mas para onde vamos depois da orgia? Temos que conseguir agora emplacar projetos de longo prazo para sobreviver depois. Temos que desenvolver uma ecologia do olhar, uma alfabetização visual, ver de forma ativa”, disse, também cativando o público.
Produzir isso em grande escala através de políticas públicas foi justamente o objetivo da secretária de Cultura ao idealizar o Verão da Cultura. “A educação forma gente que sabe ler, escrever, contar, mas não forma essa gente nova de que falou Luiz Alberto, que sabe pensar. Essa é a dimensão da cultura”, concluiu Adriana Rattes.
(texto: Ana Beatriz Duarte/Martinica Digital)
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