“Todos os problemas da cultura e da filosofia estão na rua”. Foi a partir desta frase de Nietzsche, trazida por Charles Feitosa, que a última Rede de Ideias do Verão da Cultura.Urgente, mediada por Béa Meira, costurou sua argumentação em torno do que seria “a terceira margem da cultura”.
Na discussão sobre novas e antigas formas de Criatividades, Feitosa trouxe para a Rede o conceito de mistura, de filosofia pop, daquilo que se junta e vira um terceiro elemento a partir desta fusão. “O gesto criativo é um remix, não é algo novo, é algo recriado”, disse o filósofo.
Com exemplos descontraídos e vídeos que divertiram o público, Charles afirmou a importância da experimentação e, principalmente, da reprodução e recriação na cultura. “Todo gesto cultural é um gesto de alguém que pega, recria e reproduz, ou seja, um gesto de ‘pirataria’”, disse ele, referindo-se à figura do ‘pirata’ em sua concepção mais clássica.
Reforçando a ideia de que os principais problemas e questões da cultura estão no nosso dia a dia, o Secretário de Cultura de Nova Iguaçu, Ecio Salles, discorreu sobre suas experiências no trabalho com políticas públicas e grupos culturais, como o AfroReggae, e sobre seus estudos de manifestações culturais, envolvendo o público em uma animada discussão sobre a música funk, com todos os seus significados culturais e desdobramentos sociais.
“A terceira margem da cultura é a rua”, disse Charles, e a curadora das Redes do Verão da Cultura, Ilana Strozenberg, fez coro na plateia: “A terceira margem da cultura não está nem aqui nem ali, ela está em um lugar novo. Para chegar a esse lugar, é preciso abrir mão de determinações prontas e procurar outra coisa.”
(texto: Bruna Baffa/Martinica Digital)
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