“Não vale mais falar de cultura como passado. Se a cultura é a produção de sentidos, ela é o presente, e tem a ver com a projeção do futuro”. Antenada com a proposta que a Secretaria de Estado de Cultura trouxe para o Verão da Cultura.Urgente, Regina Novaes deu o tom da segunda Rede de Experiências: ela e Edson Diniz conduziram, com a mediação de Ilana Strozenberg, um envolvente debate nesta tarde de domingo e colocaram a “cultura, memória e mobilização comunitária” na roda de discussões do Parque Lage.

O conceito de cultura foi amplamente debatido pelos apresentadores. “Discutir cultura hoje é fundamental. Nós temos um campo aberto importantíssimo”, defendeu Edson, enquanto Regina reforçava: “A idéia de cultura é uma coisa tão ampla – é um amálgama, o que diferencia os homens dos animais”. A cientista social e pesquisadora do projeto “Juventude, Identidades e Expressões Culturais” foi além: “A idéia da sociedade é produzir culturas, símbolos, significação.”

O professor Edson Diniz, sempre defendendo que “Cultura e Educação são faces da mesma moeda e devem andar juntas”, trouxe ao público sua experiência no Complexo da Maré para falar sobre mobilização social. “É muito importante entender esse território para se poder trabalhar dentro desse lugar.”, e seguiu levantando os pontos-chave a serem pensados em conjunto: “Esse é o território, essas são as questões, o que se pode fazer para se desenvolver esse lugar? Nossas ações têm que ter impacto de fato”.
Ao defender que os projetos precisam ter uma interface com o poder público, convidando-o a se posicionar e interagir, Diniz convocou a Rede para pensar junto: “Qual é o Estado que temos?”, e emendou: “Temos que encontrar os moradores, chamá-los para as ruas, mobilizá-los: juntar essas pessoas e colocar o poder público para interagir.”

Articulando mobilização cultural com o poder da memória, Diniz defendeu: “O que se faz com os acervos de memória? Deixa-se isso guardado? Deve-se usar isso para alavancar o futuro”. Regina concordou do outro lado da mesa: “É importante ter suporte de memória, e esses suportes são os registros que você faz e pode passar para os outros. Eles são importantes para a comunicação e possibilitam que outros venham e modifiquem os antigos suportes de memória posteriormente”. Regina ainda completou: “Como construir esses suportes de memória? Temos que sempre pensar o que nossas hierarquias estão deixando de fora e qual o papel do agente cultural nessa mediação.”

Nesse sentido, Regina levantou a questão: “É preciso levar em conta a mobilização dos atores e produtores da época, que vão, aos poucos, transformando os campos da arte que ainda estão sendo moldados em campos com reconhecimento, campos consagrados”. Diniz concluiu, não deixando mais dúvidas sobre o papel da cultura, memória e mobilização hoje: “Discutir cultura significa pensar que cidade nós queremos deixar pro futuro. Temos que pensar como essa cidade vai ser de todos”

(texto: Bruna Baffa/Martinica Digital)

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