Maria Antonia Goulart e Claudius Ceccon apresentaram, na tarde desse domingo, duas experiências educativas que poderiam ser qualificadas como algo “inédito viável”, nas palavras de Paulo Freire. O educador foi o primeiro presidente do Centro de Criação de Imagem Popular, Cecip, que há 25 anos produz materiais audiovisuais e forma profissionais em Nova Iguaçu e foi tema da Rede de Experiências do Verão da Cultura. É da mesma cidade o outro projeto pioneiro exposto na mesma mesa, o bairro escola, uma concepção de educação integral que envolve atores e instituições externos ao universo estritamente escolar.
“Em Nova Iguaçu, acreditávamos que o papel da cultura na educação era mais que apenas fazer algumas oficinas para instrumentalizar técnicas de expressão artística. Achamos que a escola deve se abrir a novos agentes do território para que possa se dedicar melhor ao desafio da aprendizagem”, disse Maria Antonia, que foi coordenadora de Desenvolvimento Social da cidade. “O formato da escola tradicional não funciona mais em um mundo em que a interatividade é a regra”, esclareceu após ser acusada por uma professora da plateia de diminuir o papel da escola.
Claudius Ceccon, diretor do Cecip e pioneiro no uso das novas tecnologias do audiovisual em projetos de transformação social, também discutiu os conceitos de cultura, arte e educação. Após exibir um clipe com extratos da TV Maxambomba, uma TV comunitária feita pelos próprios moradores da Baixada Fluminense, disse que os jovens se acham capazes de mudar o mundo, mas não possuem instrumentos para que possam se engajar em ações sociais. “Existe uma cultura viva em territórios periféricos que só estão esperando uma oportunidade para aparecer. Trabalhamos com os conceitos de educação e comunicação como uma coisa só. E também não diferenciamos arte de cultura”, concluiu.
(texto: Ana Beatriz Duarte/Martinica Digital)
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