

Leitura dramatizada da peça A Inquisição dos Falos, de Cesar Moura, no Teatro Laura Alvim, nesta terça-feira, às 20 horas. O preço é simbólico: R$ 2.
22/05/2012
Morreu, no domingo, o músico Robin Gibb, um dos três irmãos que formaram o grupo Bee Gees. O britânico, de 62 anos, estava em tratamento contra um câncer de cólon e fígado, segundo sua família.
21/05/2012
A Casa da Leitura promove a palestra O Cinema Literário e Musical de Alberto Cavalcanti nesta terça, dia 22, às 18h30. A discussão ilustrada com filmes do diretor será ministrada por Sérgio Caldieri.
21/05/2012
Contemplado pelo edital de novos autores, Gui Mallon lança seu novo livro, 'A caravela', nesta quinta-feira, 24/5, às 17h, na Biblioteca Pública de Niterói
21/05/2012
Viagem animada pela América do Sul
Tromba Trem, desenho criado por produtora carioca, estreia na TV mostrando a nova cara da animação nacional
Matérias 01.04.2011 1 comentário
Um elefante desmemoriado cai de um dirigível e conhece uma tamanduá vegetariana e tagarela. Juntos, embarcam numa locomotiva dominada por cupins que se acreditam alienígenas, seguindo numa louca aventura pela América do Sul. É assim o enredo de Tromba Trem, série de animação 100% nacional, que estreia em 17 de abril na TV Brasil e no dia 23 na TV Cultura. Sua chegada às telinhas é mais uma prova do fôlego da recente produção brasileira de desenhos animados, consolidada também em séries como Peixonauta e Escola pra Cachorro.
Desta vez, a brasilidade vai muito além dos créditos no final. Pelos 13 episódios da primeira temporada passeiam tipos como o Mestre Urubu, personagem de sotaque ligeiramente mineiro que, nas palavras dos seus criadores, “é uma mistura de Mestre dos Magos com Mazzaroppi, com um quê de Guimarães Rosa”. Numa das histórias, passada na Amazônia, Gajah – o tal elefante sem memória – vai surfar na Pororoca e acaba indo parar na Ilha de Búfalas, uma referência bem-humorada à Ilha de Caras. Por lá, em meio a igarapés climatizados, a Revista Fuças promove um convescote com astros como Bob, ex-BBB (Big Búfalo Brasil), e Brenda, protagonista da novela Rédeas da Paixão.
A irreverente intertextualidade de Tromba Trem, porém, vai muito além da cultura verde-e-amarela. “Decidimos que não deveríamos impor limites à nossa imaginação. Nossas inspirações vêm de qualquer lugar, não nos privamos de nada“, afirma Zé Brandão, de 31 anos, diretor do desenho. “Com isso, absorvemos todo o tipo de referências, desde vídeos de sucesso no You Tube [estão lá, por exemplo, o Esquilo Dramático e o Trololo Bird] até a série Perdidos no Espaço, que sequer temos idade para ter acompanhado, mas que está presente em nosso imaginário”.
Novatos
Criada para a faixa etária de 6 a 8 anos, o Tromba Trem nasceu no Copa Stúdio, produtora de animação que existe há 3 anos. Além de Brandão, são sócios os animadores Rodrigo Martins (conhecido como “Soldado”) e Felipe Tavares. Antes de conquistarem, com o Tromba Trem, o patrocínio do AnimaTV, primeiro programa federal de fomento à produção e teledifusão de séries de animação brasileiras, o escritório fazia principalmente animações institucionais e de publicidade. Autoral mesmo, apenas um curta chamado Rattus, rattus, vencedor de um edital da Fiocruz, que foi exibido no Anima Mundi.
Agora, o grande desafio do Copa é conseguir meios para a segunda temporada do desenho, e manter assim o grupo de 20 pessoas, a maioria entre 25 e 30 anos, que trabalhou na execução dos primeiros 13 episódios. Montar uma equipe de animação, afinal, não é tarefa fácil. “Vivemos uma equação complexa quando o assunto é mão de obra. Não temos escolas de animação porque o mercado não era forte. Agora o mercado está crescendo, mas, por não termos escolas, os profissionais disponíveis para acompanhar esse crescimento são poucos”, define Brandão. “A solução para isso é formar pessoas dentro das próprias produtoras, que foi o que fizemos”.
Exemplo disso é o capixaba Marcelo Perin, de 25 anos. Publicitário, ele estava morando em São Paulo quando viu um anúncio do Copa, procurando animadores. Candidatou-se e, há 1 ano, faz parte da equipe. Participou da produção de 12 dos 13 episódios, e diz que foi assim, na prática, que se tornou animador de verdade. Inclusive porque experimentou uma característica muito marcante no processo de criação dos desenhos: o espírito colaborativo, onde todo mundo faz de tudo. “Acabei inspirando um personagem, do qual fiz a voz”, conta Perin, cuja mania de fazer piadas com sotaque lusitano deu aos roteiristas a idéia de criar Manéu Orca, uma baleia mochileira que sai de Portugal e vai parar na Patagônia.
Lá fora
Para manter o ritmo de criação na produtora – que já criou as sinopses para uma segunda temporada de Tromba Trem - , os sócios estão de olho no mercado externo. E, de acordo com o que têm visto por aí, otimistas. “O mercado de animação é muito novo no Brasil, e isso faz com que nós não tenhamos certos vícios e dogmas que dominam o mercado internacional. A animação brasileira tem um frescor que não existe mais em outros países. O que fazemos é sincero. E isso está chamando a atenção, lá fora, para o nosso trabalho”, ressalta Brandão. No começo de abril, o animador apresentou o desenho festival italiano de animação Cartoons on the bay.
Um frescor que no Tromba Trem aparece, especialmente, nos cenários e situações experimentados por Gajah e sua turma. No trem a vapor, a bicharada conhece, a cada episódio, um lugar diferente: o cerrado brasileiro, a zona da mata nordestina, os Andes, Recife, Paraguai e até o Rio de Janeiro. O destino final da viagem é Varginha, em Minas, onde a colônia de cupins acredita que vai conseguir um jeito de voltar ao seu planeta de origem. Enquanto isso, a caprichada trilha sonora passeia do funk aos ritmos nordestinos.
O espectador que não espere, porém, geografias e características culturais precisas. “O que se sobressai no Tromba é a imaginação, não a precisão. Por isso o protagonista é um elefante sem memória, estrangeiro, que vê a América do Sul com olhos de viajante”, explica Brandão. “Tromba Trem não tem objetivos didáticos, não pretende dar lições. Ao mesmo tempo, apresenta certos valores, como a aceitação das diferenças, parte importante na história. Essa jornada de um elefante, uma tamanduá e uma colônia de cupins mostra o quão importante e prazeroso é estar aberto para conhecer o mundo e para aprender com a sua diversidade”.
Colaboração de Juliana Krapp
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