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10/05/2013


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Terra de jongueiro

Centro de Referência do Jongo de Pinheiral preserva cultura afro-brasileira no sul fluminense

Matérias 24.08.2009 1 comentário

O Jongo de Pinheiral, no sul fluminense

O Jongo de Pinheiral, no sul fluminense  (Crédito: Divulgação)

A 120 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro, Pinheiral abriga várias famílias que se dedicam à preservação do jongo, forte legado cultural dos escravos que ocupavam as fazendas do Vale do Paraíba. Cultivando essa cultura, se destaca o Centro de Referência do Jongo de Pinheiral, Ponto de Cultura desde 2005, que valoriza a tradição e defende sua conservação de geração em geração.

Coordenadora geral do Centro, Maria de Fátima da Silveira Santos, conhecida como Fatinha, explica que o jongo sempre marcou a região. No início dos anos 80, amigos jongueiros se organizaram na União Jongueira: “Aqui, várias famílias dançam jongo. Decidimos nos reunir e, de lá para cá, atuamos melhor em nossa divulgação, recebendo escolas e universidades, dando palestras e oficinas. É preciso mostrar que Pinheiral é terra de jongueiro.”

Fatinha conta que a maior fazenda de escravos da região era a da família dos Breves. “Nos tempos áureos de escravidão”, diz a jongueira, “o negro, que trabalhava de sol a sol, só tinha a noite para se expressar. Em volta da fogueira, os negros dançavam, louvavam seus orixás, arquitetavam fugas. Tudo acontecia na roda do jongo. Essa é a nossa história”, conclui.

O Centro de Referência do Jongo de Pinheiral trabalha com três vertentes: a preservação da dança, a que se dedicam quase todos os integrantes, apresentando-se em todo o país; a manutenção de uma biblioteca especializada em cultura afro-brasileira, que conta com obras raras; o Ponto de Cultura, que preserva e difunde a culinária afrodescendente, produzindo alimentos vendidos em sua sede e em festivais para o sustento de suas atividades.

Lá atuam cerca de 50 integrantes. Cada apresentação conta com cerca de 30 jongueiros, alguns deles descendentes de negros das fazendas do tempo do Império. Além de receber visitantes que querem conhecer o passado e o presente do jongo – no dia em que foi entrevistada, Fatinha aguardava um grupo de suecos – e oferecer cursos e palestras, o Centro organiza anualmente o Encontro de Jongueiros, que conta em média com 18 grupos de dançarinos, e terá sua próxima edição em Quissamã.

A atuação dos jongueiros de Pinheiral está hoje bastante facilitada por terem sido contemplados como Ponto de Cultura. “Nosso trabalho continuou o mesmo, mas agora podemos ter equipamentos e espaço. Não tínhamos computadores nem sede, trabalhávamos no quintal da minha casa ou na rua mesmo”, diz a coordenadora.

Apoiado pelo Programa Cultura Viva, do Governo Federal, o grupo de Pinheiral tem buscado expandir seu trabalho de preservação da cultura negra. A ampliação da biblioteca e a consolidação de sua sede como local de referência têm sido suas prioridades.

A vinculação a outros grupos e centros culturais do estado também está entre as preocupações de Fatinha, que esteve na banca de seleção dos Pontos de Cultura contemplados em 2009: “É importante que alguém da cultura popular esteja nesse tipo de seleção. O diálogo e a integração são fundamentais. Hoje mesmo estaremos presentes no Espaço Cultural Francisco de Assis França (novo Ponto de Cultura de Volta Redonda), que está comemorando seu aniversário.”


Colaboração de Renata Saavedra



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