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10/05/2013


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Revolução museológica

O e-Book gratuito 'Reprograme' reúne pela primeira vez ideias de especialistas de todo o mundo sobre a transformação dos museus na era da informação

Matérias 15.06.2012 deixe aqui seu comentário

Luis Marcelo Mendes, idealizador e editor da compilação

Luis Marcelo Mendes, idealizador e editor da compilação  (Crédito: Divulgação)

Os museus estão em transformação e, em torno deles, multiplicam-se novas ideias de interação entre diferentes instituições pelo mundo. Através do projeto Reprograme, o jornalista Luis Marcelo Mendes pretende trazer para o Brasil o debate atual que conecta comunicação, branding e cultura ao universo museológico. Reunindo de maneira inédita análises de vários especialistas em uma mesma publicação, o e-book gratuito oferece um panorama de tudo o que vem sendo pensado, por cabeças das mais diversas nacionalidades, sobre os novos papéis dos espaços culturais na era da informação. O conteúdo do livro digital já está integralmente disponível para download em inglês nos formatos PDF, ou para iPad e Kindle. Agora, contudo, o material pode ganhar tradução para o português por meio da mobilização coletiva por crowdfunding.


Com título imperativo, o Reprograme faz um mapeamento da discussão intensa e constante em artigos, posts de blogs, entrevistas e palestras do setor sobre os atuais caminhos da experiência do museu em relação ao público e ao espaço de ocupação. Textos, em creative commons, de autores como a americana Julia Hoffman, o suiço Alain de Botton, a belga Régine Debatty, a canadense Victoria Dickenson e o brasileiro André Stolarski estão reunidos em uma compilação, que agrupa um material de temática comum: para onde vão os museus? E como nós ficamos em relação a isso? Em fase de captação de recursos no site de financiamento colaborativo Catarse.me, o projeto aspira a passar todo o material original do inglês para o português, ajudando a espalhar a discussão e tornando o conteúdo acessível a um número expressivo de profissionais, estudantes e entusiastas dos museus.


Comunicação, 'branding' e cultura em uma nova era de museus


“Há cerca de dois anos, venho trabalhando em uma pesquisa com o objetivo de entender melhor a relação de branding – estratégia de marketing – e cultura. Queria analisar como as instituições culturais ainda têm problemas em aceitar as novas mudanças trazidas pela sociedade de informação. Muitas delas acreditam que marketing deve estar ligado apenas ao universo corporativo, o que é uma visão torta”, conta Mendes, que, além de jornalista, é consultor e gestor de design e comunicação. “A partir do meu estudo, topei com o texto de Robert Jones (chefe do departamento de New Thinking da Wolf Ollins), que serviu como gênesis da coisa toda. Passei a descobrir pistas e relações nesse ambiente, quase uma rede neural, que interliga comunicação, marca e relacionamento. Vi que havia um grande debate em blogs, artigos e eventos, envolvendo muita gente legal, mas que não estava sendo colocado em questão nem circulado no Brasil”, explica o idealizador e editor do Reprograme.


Para Mendes, que foi gerente executivo do projeto do Museu da Moda do Estado do Rio de Janeiro e curador do evento "Museus e Cidades Criativas: Inovação, Conexão e Cultura”, a discussão sobre as mudanças fundamentais pelas quais passam os espaços de exposição e centros culturais ainda não está amadurecida no Brasil. “Muitas instituições internacionais, especialmente dentro do espaço museológico, empreendem bem essa relação e ganham força de atuação por isso, principalmente no aspecto positivo da relação com o público. Temos que nos espelhar em centros como o British Museum, em Londres, que é uma alavanca dentro do Oriente Médio, associando a sua marca a diferentes projetos”, observa ele.


Além disso, ao longo do tempo, o benefício do ambiente museológico ficou apenas restrito a uma lógica de contemplação devocional. “A grande transformação está no reposicionamento da ideia do museu como uma catedral do saber para a ideia de um bazar, um espaço aberto de troca e de circulação de ideias. O grande barato da agenda de programação de um museu, em uma exposição como a do Escher (O mundo mágico de Escher, que ficou em cartaz no CCBB em 2011), por exemplo, é permitir que as pessoas visitem com a sua turma, dividindo experiências - isso é que justifica o passeio. Quando a própria instituição entende esse ponto, a coisa toda funciona”, sugere o editor. “O Reprograme é uma síntese de discussões. Pretende despertar as instituições para uma reprogramação em meio a uma nova era museológica. Esse é o jogo”, completa.


Com o conteúdo em inglês do e-book ganhando, pouco a pouco, público na internet, o jornalista conta com a contribuição de quem se interessar pela aventura literária para que os textos sejam traduzidos para a nossa língua. “Coloquei o projeto no Catarse para viabilizar o plano de tradução do material para o português. Poderia tentar um apoio através de outras fontes, como o MinC (Ministério da Cultura), mas decidi tentar primeiro tornar viável através de indivíduos. Como o conteúdo é creative commons e eu não ganho nada com isso, o mais importante é estimular as pessoas a debater essas questões. E o momento para isso é agora e não daqui a cinco anos, justamente pelo crescimento museológico atual”, conclui Mendes.


Leia mais sobre a plataforma do portal Catarse.me aqui.


Colaboração de Camila Lamha



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