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Praça São Salvador, celeiro cultural

Grupos de samba, choro e até de música balcânica florescem ao lado do coreto

Matérias 10.12.2010 8 comentários

Além do choro do "Arrumando o coreto", tem samba, batuque e música balcânica na Praça São Salvador

Além do choro do "Arrumando o coreto", tem samba, batuque e música balcânica na Praça São Salvador  (Crédito: Divulgação)

O grupo "Arrumando o coreto" se apresenta aos domingos na Praça São Salvador

Giovanna, de cinco anos, sai correndo do parque depois de abandonar o balanço ainda em movimento. Sua mãe, Rita, acompanha atenta aos passos acelerados da filha, que para diante de um senhor grisalho com um violão na mão. Da área infantil, onde estava Giovanna, até o coreto da Praça São Salvador, onde esta o músico, conta-se pouco mais de 15 metros. E é nesse perímetro da praça que a cada ano surgem novos grupos musicais. O mais recente, Go East Orkestar, começou há cerca de nove meses e ocupou a São Salvador com um baile de música balcânica. Muito antes, há seis anos, quem abriu espaço para os músicos foi o bloco carnavalesco Bagunça meu coreto, um dos principais responsáveis pela revitalização do ambiente e que gerou uma ramificação, o Batuque no coreto. Já há três anos, de maneira despretensiosa, surgiu o Arruma o coreto, grupo de choro que alegra os domingos da bucólica região encravada entre o Largo da Machado e o bairro de Laranjeiras, na capital fluminense.

Com ares de cidade do interior, a Praça São Salvador possui um coreto em uma ponta, um parquinho infantil na outra, e um belo chafariz francês feito por Louis Sauvageau, situado exatamente no meio da praça, que é rodeada por alguns bares. A principal marca da praça, de uns anos para cá, virou a música ao vivo. Mensalmente, a São Salvador recebe a roda do 'Bagunça meu coreto', que mesmo sem data marcada, atrai centenas de pessoas. Todo domingo, de manhã, é a vez do 'Arruma o coreto' espalhar seu choro. E durante a semana, quem costuma ensaiar no local é a 'Go East Orkestar'. Já aos sábados é a vez da percussão do 'Batuque no coreto'.

Segundo Ana Claudia Caetano, flautista do 'Arruma o coreto', o grupo começou a ensaiar na praça porque quase todos moravam perto. A mesma afirmação é dada pelos membros do 'Bagunça meu coreto' e da 'Go East Orkestar'. Mais do que coincidência, o lugar sempre atraiu músicos, muito por conta da paz que reina na área.

Batuques dos Balcãs

Entre os grupos mais recentes que surgiram na São Salvador, esta a 'Go East Orkestar'. O que era para ser só um festa de música balcânica, a Go East, com sons do Leste Europeu, acabou virando uma orquestra em plena praça. As duas DJs do evento, Sol e Maria, decidiram criar o grupo depois do carnaval desse ano, como explica Sol: “A gente tinha essa ideia há três anos. Esse ano começamos a buscar músicos interessados e marcamos com eles na praça.” Desde então, a 'Go East Orkestar' vem ensaiando toda a semana e hoje conta com 25 músicos, que fizeram sua estreia oficial na comemoração de três anos da festa Go East.

Já o 'Batuque no coreto' também foi criado recentemente e é composto principalmente pelos alunos da escola de percussão Maracatu Brasil, próxima ao local. Eles se definem como a roda de samba "mais charmosa e espontânea de Laranjeiras".

Bagunça que revitaliza

Gabriela, de 33 anos, faz parte do ‘Bagunça’ e mora na esquina da São Salvador desde que nasceu. A região até o final da década de 90 se encontrava abandonada, quando passou por reformas. “O coreto passou a ser ocupado por um grupo de choro que nem existe mais, o 'Dobrando a Esquina'. Mas, mesmo assim, durante o dia, quase ninguém passava por lá, era perigoso, cheio de mendigos e com assaltos.”

Segundo Gabriela, a ideia de criar o 'Bagunça o meu coreto' surgiu quando alguns amigos se encontraram em um bloco lotado na terça de carnaval, em 2003, que tocava Roupa Nova. Em busca de algo mais tranqüilo, em 2004 surgiu, então, o ‘Bagunça’. Gabriela conta que, mesmo morando na esquina, ‘descobriu’ a São Salvador por conta dos amigos: “Um casal de amigos belgas chegou à minha casa contando que tinham tomado café da manhã no lugar mais bonito do Rio. Fui com eles e descobri que o tal lugar era do meu lado, na Praça São Salvador. Tive que concordar com o casal: o lugar é lindo!”

Ensaiando o choro

Já o violonista Luís Alberto Eismann , do Arruma o Coreto, conta que o seu grupo é composto em sua maioria por alunos da Escola Portátil de Música: "Como choro só se faz em conjunto, em roda, alguns amigos se reuniram e começaram a praticar, ensaiar, na praça.” O grupo começou a tocar aos domingos, e como eram cerca de oito, ainda podiam ensaiar embaixo do coreto, mas hoje, como o grupo cresceu, ocupam o quadrilátero da praça.“Vem gente até da Ilha do Governador”, explica Luís.

O dia escolhido para os ensaios, domingo, não foi à toa. “A maioria não curtia muito praia, então optamos por domingo de manhã, era mais tranquilo. Com alguns meses, o grupo começou a crescer e aparecer na mídia. Cobraram um nome, e já que tinha o bloco que ‘bagunçava’ o coreto, a gente decidiu ‘arrumar’”, explica Ana Claúdia, flautista e uma das fundadoras do grupo, que toca Pixinguinha e Jacob do Bandolim, entre outros nomes do choro.


Colaboração de Gustavo Durán



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