

Estão abertas as inscrições para a oficina que o francês Maurice Durozier, do Théatre du Soleil, ministrará no Armazém da Utopia (Cais do Porto), entre 18 e 22/05. Mais informações aqui.
16/05/2013
Estão abertas até o dia 20/05 as inscrições para a 4ª edição da Revista Machado de Assis, editada pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN). Mais informações, aqui.
15/05/2013
Estão abertas as inscrições para a edição 2013 da Semana do Audiovisual - SEDA, maior festival de cinema livre do país. Interessados devem inscrever-se aqui.
14/05/2013
O Prêmio Rio Sociocultural divulgou os finalistas de sua quarta edição. Projetos de Cabo Frio, Maricá, Duas Barras e Casimiro de Abreu constam pela 1a vez da lista. Veja todos os finalistas aqui.
10/05/2013
Os ruídos e suas possibilidades
Mostra na EAV apresenta performances inspiradas na música concreta
Matérias 15.10.2010 deixe aqui seu comentário
Ser radialista na França ocupada pelos nazistas não era exatamente um emprego dos sonhos. Mas o francês Pierre Schaeffer fez o que pôde. Disseminou mensagens em código, por exemplo. Fora a atuação na resistência, fez experimentos como a interseção entre o cinema e o rádio, organizou ateliês de interpretação e lançou-se a reflexões sobre as possibilidades do som. Até que, no fim dos anos 50, teve o insight: e se acrescentasse ruídos diversos – naturais, industriais e afins – à composição musical? Nascia aí a chamada “música concreta”: aquela que captura sons do meio ambiente, modifica-os e os transforma em música. Trocando em miúdos: a precursora dos sons eletrônicos e sua cultura, e que hoje é conhecida também como eletroacústica.
“Schaeffer a batizou de música concreta porque não partia da notação, que era para ele algo muito abstrato”, explica o compositor e produtor musical Rodolfo Caesar, que foi aluno do francês. “O concreto representa algo que cresce em conjunto. Significa que a música vai crescendo ao longo de um processo, e que esse processo envolve a escuta permanente”.
Sessenta anos depois, a Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV) sedia um evento que presta homenagem às ideias de Schaeffer e aos seus desdobramentos. O ciclo Arte Sonora, organizado pela Sala Cecília Meirelles, apresenta, desta sexta (15) até domingo (17), sinfonias diversas, performances de poesia sonora e trabalhos audiovisuais. O ponto alto é a execução da Sinfonia para um homem só, obra-prima de Schaeffer e Pierre Henry, no sábado. Pela primeira vez, ela será interpretada ao vivo, com músicos no palco. Em geral, a sinfonia é apresentada de forma acusmática, ou seja, sem a performance de intérpretes. Isso porque, na sua versão original, a sinfonia, gravada numa fita magnética, era reproduzida em alto-falantes. Afinal, não reconhecer a origem do som fazia parte do processo.
Ruídos de diferentes origens
Desta vez, porém, o compositor José Augusto Mannis, também ex-aluno de Schaeffer, decidiu convidar outros musicistas a tentarem reproduzir, ao vivo, a sinfonia e seus ruídos. Ele próprio transcreveu as partes cabíveis de notação da música. Aos convidados coube inventar formas de se aproximar dos ruídos da gravação original. Por isso, a sinfonia ouvida na EAV terá sons de vozes, de um piano de brinquedo e de um megafone, entre outros.
“A música concreta libertou e emancipou o ruído, é essa a sua grande contribuição”, conta Caesar, que faz a curadoria do evento. Na prática, Schaeffer captava sons microfonicamente – a passagem de um trem, por exemplo -, gravava-os num toca-discos e partia para uma inédita bricolagem: cortava, emendava, reproduzia de trás para a frente. Uma experiência que hoje poderia ser traduzida pelo aportuguesado verbo “samplear”. “DJs também utilizam ruídos, sons não-instrumentais. Mas eles criam músicas para a pista, enquanto a música concreta é feita para salas de concerto. O que liga a discotecagem ao trabalho de Schaeffer é o uso de diferentes tecnologias para influenciar o som”, esclarece.
A mostra Arte Sonora, porém, não apresenta experimentos exclusivos do som. A maioria das performances transita entre diferentes áreas. “São formas artísticas que não pertencem diretamente aos troncos nos quais costumamos dividir a arte, como música, cinema, artes cênicas. São produções que não podemos encaixar em definições rígidas”, comenta o curador.
É o caso da apresentação que abre a mostra, nesta sexta, quando o Duo N-1 vai lançar mão de um arsenal de fontes sonoras das mais diversas procedências, captando-as e processando-as ao vivo. Simultaneamente, vão misturá-las a fragmentos de vídeo. Em seguida, Michelle Agnes e Thomas Rohrer revivem, em estilo próprio, a presença musical que costumava acompanhar, ao vivo, os filmes mudos do passado. Só que aqui eles usam piano preparado, rabeca e saxofone. Na tela, Film (EUA, 1965), com roteiro de Samuel Beckett, Assalto (Alemanha, 1921), de Ernö Metzner, e Rã-kai (Brasil, 2010), de Eliane Caffé.
No domingo, último dia da mostra, apresentam-se artistas que trabalham com o processamento em tempo real de som e imagem e com poesias sonoras.
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