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21/05/2012
O homem que amava as mulheres
Modigliani ganha mostra no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) a partir de fevereiro. Exposição reúne pinturas e esculturas, além de peças e objetos pessoais do artista
Matérias 31.01.2012 deixe aqui seu comentário
Jeune femme aux yeux bleus, uma das obras do italiano que revelam a inspiração no sexo feminino (Crédito: Divulgação)
Apesar de sua curta vida, Amedeo Modigliani (1884-1920) – o boêmio, pobre, tísico, mas talentoso pintor italiano - deixou sua marca na história da arte. O artista de Livorno, que viveu muito tempo em Paris, teve boa parte de sua educação domiciliar. Ainda em casa, começou a desenhar e pintar precocemente, já indicando, antes mesmo de completar 15 anos, a vocação para as artes plásticas. Seu trabalho é marcado por retratos e esculturas um tanto modernos para a época, peças muitas das quais estão na mostra Modigliani: imagens de uma vida, no Museu Nacional de Belas Artes. A exposição, que integra o Momento Itália-Brasil, está chegando ao Rio esta semana, aberta ao público a partir desta quarta-feira (dia 1º), com uma montagem ainda maior que traz um amplo resgate da personalidade do garoto prodígio, contada através da trajetória profissional de Modigliani.
A mostra é dividida em três períodos da carreira do italiano: quando alternava entre Livorno e Sardenha; o período em que passou por Florença e Veneza e, por último, a sua estadia na França, lugar onde conheceu grandes mestres que o influenciaram na sua arte de retratar e de esculpir. Com curadoria de Christian Parisot, biógrafo do artista e presidente do Modigliani Institut Archives Légalés Paris-Roma, a mostra reúne 230 itens entre doze telas e cinco esculturas originais. Além de documentos, fotos, desenhos, diários, manuscritos de Modigliani e trabalhos de outros importantes artistas que o marcaram. Em pleno início do século XX, Modigliani chocava pelas obras que revelavam a nudez humana. Suas pinturas em boa parte retratavam o corpo feminino, causando burburinho no meio eclesiástico e culminando no episódio que tornaria um fracasso sua primeira exposição. A individual na galeria Weil duraria apenas um dia, graças aos nus expostos nas vitrines.”Modigliani se inspirava nas mulheres do ponto de vista do amor. Não meramente do corpo físico em si, mas via a modelo como uma pessoa, atraente intelectual e psicologicamente”, constata Parisot. Pinturas como Grand nu allongé (Céline Howard) e o desenho a lápis de Jeune Hébuterne, sua companheira no fim de vida, são alguns dos trabalhos polêmicos presentes na mostra.
Outras qualidades da personalidade do artista contribuíam para construir sua fama. Boêmio assumido das noites em Paris, Modigliani acabou ganhando uma imagem que não era bem a sua. Christian Parisot explica que estes clichês de extravagâncias, de excessos com álcool e drogas, era caricatural. Assim como os jovens de Paris, Amedeo Modigliani era um apaixonado pela vida, um notívago como muitos artistas da época. Até porque a saúde debilitada desde a infância e a tuberculose impediam-no de beber e fumar muito. E foi esta mesma França dos cafés e vaudevilles que Modigliani desenvolveu seu estilo único. Dentre os nomes que mais marcaram sua carreira estão o pintor Pablo Picasso (1881-1983) e o romeno Constantin Brancusi (1876-1957). Este último, grande referência cubista para as esculturas do italiano, levou-o a desenvolver as esculturas de máscaras africanas - disponíveis ao público na exposição. Há outros artistas que ganharam a atenção de Modigliani em sua fase inicial, como os Macchioli, grupo de impressionistas da Toscana, e Toulouse-Lautrec e Max Jacob, os impressionistas de Paris. Todos provenientes de uma arte vanguardista. No entanto, Parisot vê esses artistas mais como sugestões do que propriamente como influências: “A característica de Modigliani é não ter mestres nem discípulos”, resume o biógrafo.
A mostra Modigliani: imagens de uma vida proporciona uma ampla visão da vida do admirado artista. Além das doze telas e cinco esculturas, a exposição reúne documentos, diários, fotos e manuscritos do italiano. O público encontra também arquivos históricos como o diário de sua mãe, Eugenia Garsin-Modigliani, que tenta narrar a história da família Modigliani em 94 páginas manuscritas. Há ainda o Ketuba, contrato nupcial dos pais judeus, e diversos cartões-postais que Modigliani enviava à mãe. Desses documentos pode-se perceber a importância de Eugenia na vida pessoal e artística, já que ela era uma das maiores incentivadoras do trabalho de seu filho. Outro importante ponto são as fotos que Modigliani costumava tirar antes de pintar suas telas. Entre as imagens estão as de sua principal musa e amante, Jeune Hébuterne - que se suicidou após a morte de Modigliani. “Jeu Hébuterne era a companheira 12 anos mais nova que pode compartilhar com Modigliani todo seu trabalho artístico”, diz o curador. Parisot também selecionou fotografias de outras modelos em Paris para exibi-las na panorâmica exposição.
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Colaboração de Renata Lima
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