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Natureza e cultura no Mercadão de Madureira

Maior mercado do Rio é reduto das erveiras da cidade

Matérias 20.01.2010 1 comentário

Entrada do Mercadão

Entrada do Mercadão  (Crédito: Juliana Radler)

Fátima Dinis, Heliete e Maria Olinda formam um trio de tradicionais vendedoras de ervas do Mercadão de Madureira, considerado um dos maiores mercados de comércio popular da América Latina, que completou 50 anos em 2009. As três são uma verdadeira enciclopédia botânica quando o assunto é erva. Seja para uso medicinal, místico, religioso ou alimentar, há sempre uma receita, uma história e, o mais importante, um ramo fresco e cheiroso para ser vendido ao freguês.

“Tenho cliente do Rio de Janeiro todo e até de outros estados e países. Eu mando erva para Portugal por Sedex”, conta Fátima, que tem 46 anos e desde os sete trabalha no Mercadão de Madureira. “Nasci na horta”, diz ela. Sua família de imigrantes portugueses está diretamente ligada às raízes do bairro e do Mercadão.

No início do século passado, quando a Light implantou linhas de transmissão para levar energia ao Centro da cidade, vários terrenos em torno dessa região foram arrendados aos portugueses donos de chácaras que já abasteciam o Mercado de Madureira com verduras e legumes. Naquele tempo, o Mercadão localizava-se onde é a atual quadra da escola de samba Império Serrano e concentrava amplo comércio de alimentos na Zona Norte do Rio. Em 1959, pela necessidade de mais espaço, houve, então, a mudança para o atual endereço, na Av. Ministro Edgar Romero.

A chácara da família de Fátima, felizmente, resiste ao crescimento urbano e se mantém verde na paisagem há cerca de 60 anos. Conhecido como horta do Seu Moura, o local é um extenso terreno de cinco mil metros com mais de 300 espécies de plantas, localizado logo atrás do Madureira Shopping. Assim como antigamente, a horta continua a abastecer o Mercadão. Só que ao invés de legumes e verduras – atualmente esses alimentos vem da Ceasa – fornece ervas aromáticas, medicinais e mágicas vendidas por Fátima e outros vendedores dos 28 boxes do Mercadão das Ervas.

Do Ver-o-Peso à Madureira

“Minha avó era paraense, filha de índios, e sempre teve o hábito de cultivar ervas para fazer seus próprios remédios”, lembra Heliete, que há 16 anos trabalha no Mercadão. Também nascida em Belém, a erveira veio ainda criança para o Rio de Janeiro, onde passou a frequentar terreiros de Candomblé e converteu-se a essa religião de matriz africana, famosa por seus cultos à natureza. Como diz o próprio ditado na língua Iorubá: “kosi ewe kosi orixá”, “sem folha, não há orixá”.

Tal como na formação da cultura brasileira, observa-se que as ervas usadas no Brasil carregam a influência direta das matrizes indígena, negra e européia. O famoso estudioso do folclore nacional, Câmara Cascudo, escreveu sobre a relação do brasileiro com as ervas, sobretudo, no Norte do país. Cascudo fez alguns levantamentos em Belém do Pará, junto às erveiras do Ver-o-Peso, documentando receitas de banhos com poderes mágicos. Ele concluiu que em muitas destas receitas estavam presentes em plantas usadas em Portugal nas festas de São João, assim como ervas utilizadas pelos negros e índios em rituais religiosos, de purificação e cura.

Outro pesquisador, Napoleão Figueiredo, do Museu Paraense Emílio Goeldi, escreveu: “para resolver problemas, alcançar êxito e cumprir obrigações, faz-se necessário um movimento dos homens em direção à natureza e, assim, criam-se condições para uma ligação entre cultura e natureza. O elemento básico desta ligação é feito através dos banhos aromáticos. Portanto, o homem está unido à natureza por meio das plantas”.

A união natureza-cultura pensada por Figueiredo, é alegremente compartilhada pela erveira Maria Olinda, que está há nada menos do que 32 anos vendendo ervas no Mercadão. “O que vem da natureza é sempre bom para o homem”. Ela lembra que há nove anos, quando houve um incêndio no prédio do Mercadão que destruiu completamente a maior parte das instalações, o setor das ervas quase não foi atingido. “Vai ver foi o poder das plantas!”.

A história de vida da simpática Maria Olinda está diretamente ligada a do Mercado. “Vim do altar para cá”, conta ela, que casou-se com Artur, um dos mais antigos proprietários de boxes de ervas, e desde então passou a ajudar o marido no trabalho. “Criamos dois filhos com esse negócio. Temos clientes que compram nossas plantas há mais de 20 anos”, orgulha-se. Vale ressaltar que o Mercadão de Madureira é uma verdadeira potência do comércio carioca: reúne cerca de 600 lojas de varejo e atacado, atraindo uma média de 80 mil pessoas diariamente.

Os clientes buscam ingredientes para os mais variados fins: xaropes, chás, garrafadas, sabonetes, pomadas, incensos, perfumes, temperos, banhos de cheiro, defumações, etc. Recentemente, a área destinada à venda de ervas ganhou um novo layout, diferenciado do restante do Mercadão, com paredes verdes e fotos das plantas e dos vendedores reproduzidas nas paredes. Foi também lançado um site mercadão das ervas, com informações sobre as ervas, a história local, e os contatos de todos os vendedores dos 28 boxes.

Como erveiras do Mercadão de Madureira, Fátima, Heliete e Maria Olinda transmitem os saberes populares sobre a flora que vêm sobrevivendo secularmente, sobretudo através da oralidade. Em seus ofícios, elas também manteem viva a crença no poder das ervas, um traço tão característico do povo brasileiro e oriundo de nossa mistura étnica. Visitar o Mercadão (das Ervas) de Madureira é um profundo (e divertido) mergulho nessa tradição.

Receitas de banho dadas pelas erveiras

Fátima: Banho de atração para o amor

Sândalo / Catinga de Mulata / Menta
Macerar as três ervas verdes e misturá-las com água fria. Depois, côa-se e retira-se a água perfumada. Esse banho deve ser tomado da cabeça para baixo, três dias seguidos, de terça a quinta-feira. Não deve enxaguar após banhar-se.

Heliete: Banho de revitalização e realização profissional

Abre-Caminho / Elevante
Macerar as duas ervas verdes e misturá-las com água fria. Coar e despejar a água perfumada numa bacia, de preferência de ágata. Esse banho pode ser tomado da cabeça para baixo, uma única vez na semana. Não enxaguar após o banho.

Maria Olinda: Banho Bom Astral do Ano Novo
Manjericão fresco

Macerar o manjericão fresco e misturá-lo na água fria. Coar e banhar-se no dia 31 de dezembro. Não enxaguar após o banho.


Colaboração de Juliana Radler



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