

Por motivos de força maior, a CASA DE CULTURA LAURA ALVIM estará fechada durante o Carnaval. Será reaberta na quarta-feira de cinzas com todas as suas atividades culturais.
18/02/2012
O longa-metragem português Tabu, feito em coprodução com Brasil, Alemanha e França, venceu prêmio da crítica no 62º Festival de Berlim. O ator catarinense Ivo Müller é protagonista.
17/02/2012
Durante o Carnaval a Casa de Cultura Laura Alvim estará com o funcionamento parcial: apenas os cinemas, a livraria e o café estarão abertos. A galeria de artes e os teatros estarão fechados.
17/02/2012
Nova turnê do cantor Bob Dylan vai chegar ao Brasil. O astro começa série de shows pelo Rio de Janeiro, no Citybank Hall, no dia 15 de abril. Venda de ingressos começa a partir do dia 5 de março.
16/02/2012
Nara Leão: ontem, hoje e sempre
Portal lançado pela filha da cantora, Isabel Diegues, resgata a obra da diva e relembra sua trajetória
Matérias 19.01.2012 1 comentário
Ela foi protagonista da bossa nova, do tropicalismo, do samba e da Música Popular Brasileira tal qual como a conhecemos hoje. Seu joelho era mais desejado e admirado do que as curvas de qualquer mulata. Nara Leão era capixaba, mas ninguém seria mais carioca do que ela: seu temperamento nunca permitiu que se acomodasse no conforto de um único gênero, sempre deslizou por vários. A cantora, que completaria 70 anos nesta quinta-feira, 19/01, ganhou da filha com o cineasta Cacá Diegues, Isabel, um presente à sua altura: um portal onde é possível ouvir todos os discos da sua carreira, fora de catálogo há anos. Além disso, podemos acessar a ficha técnica, conhecer o contexto em que foram produzidos e os músicos que participaram de cada trabalho. Um verdadeiro mergulho em uma das carreiras mais brilhantes da MPB, encerrada precocemente em 1987 devido a um câncer cerebral.
O projeto do portal naraleao.com.br nasceu há três anos, fruto de um desejo pessoal de Isabel Diegues. A gravadora Universal chegou a ser consultada sobre o site, mas não se interessou. "A Universal não ajudou, mas também não atrapalhou", conta Isabel. Com recursos próprios, a cineasta e editora decidiu encarar o desafio: encarregou Frederico Coelho da pesquisa e o escritório 6D da estrutura virtual. E é com orgulho e felicidade que ela vê o nascimento e a repercussão do projeto, logo no ano em que sua mãe faria 70 anos.
"É uma oportunidade de o público conhecer a história de cada disco, o momento em que ele foi realizado, o conceito por trás daquilo", detalha Isabel. "Eu estou contente. Confesso que até me surpreendi com a quantidade de pessoas que me escreveram, os pedidos de entrevista. A resposta está sendo muito bacana"
Média 5,67 em história
O site abre um baú para a história da música brasileira, mas também da própria vida de Nara. É possível encontrar, por exemplo, o boletim escolar da cantora no 1º ano científico e descobrir que sua pior média anual foi 5,67, em história. Ou então encontrar um trabalho escrito a mão pela artista em 1974, feito para o curso de psicologia. Sem contar as dezenas de fotos de diferentes momentos da carreira. O acervo foi doado por Isabel e seu irmão ao Museu da Imagem e do Som, em 1990. Mas só recentemente foi catalogado e digitalizado.
"Todo o material do acervo estava no MIS desde 1990, mas só na gestão da Rosa Maria Araújo é que foi dado um tratamento a ele. A maior parte dos documentos e fotos reunidos no site está no museu. O Frederico fez a pesquisa nesse material e também em livros nos quais ela foi citada", explica a filha de Nara.
O cavaquinista Henrique Cazes, que conviveu com a cantora nos anos 80 em turnês pelo Brasil e o exterior, quando fazia parte da Camerata Carioca, afirma que ela era uma pessoa "especial". Cazes relembra uma situação que exemplifica o jeito Nara de ser: simples e sem vaidades.
"A turnê de lançamento do disco Meu samba encabulado, em agosto de 1983, foi recorde de público do Projeto Pixinguinha. Fizemos, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife e Salvador com teatros lotados e quase sempre dois shows por dia. Pelo regulamento do projeto, o show extra tinha sua renda dividida igualmente entre músicos, assistentes de produção e direção e cantores. A maior parte dos cantores não queria fazer show extra pois acabava ganhando pouco em relação ao seu cachê habitual. Mas Nara não ligava e fazia todos os que apareciam, para nossa alegria. Nessa viagem, ela sempre usou a Kombi dos músicos e não o Ford Galaxy que a produção reservava para os artistas principais", lembra o músico.
Sempre inquieta
Foi na casa dos pais de Nara Leão, nas reuniões promovidas por Carlos Lyra e Roberto Menescal, que nasceu a bossa nova. Quando o frenesi tropicalista assustava o Brasil, lá estava ela de novo emprestando sua voz a Lindonéia, de Caetano Veloso. No histórico show Opinião, dividiu o palco com Zé Kéti e João do Vale. Para o músico e amigo Roberto Menescal, parceiro de vida inteira da cantora, a sua curiosidade pelas diferentes movimentos musicais era única.
"Conheci a Nara com 11 anos e ela já tinha essa curiosidade. Com aquela idade, ela me mostrou os discos de jazz. Isso era e é até hoje muito difícil, uma criança com essa vontade toda de conhecer coisas novas. A Nara era muito tímida e quieta, mas inquieta em relação a cultura, nunca se acomodava. Mostrava coisas para a gente, dizia que tínhamos que ouvir determinado artista. Eu digo que ela não foi a maior cantora brasileira, mas sem dúvida foi a mais inteligente", diz Menescal.
Nara Leão não tinha uma voz possante. Mas com sua simplicidade e timidez era capaz de provocar um verdadeiro terremoto, como quando reclamou publicamente da ostensividade militar durante a Ditadura e quase acabou presa. Sempre foi artista, mas nunca se deslumbrou nem se colocou em cima de nenhum pedestal. No dia em que completaria 70 anos, sua vida e obra continuam dando lições a todos os cantores e músicos brasileiros.
Colaboração de Leonardo Faria
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