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Leitura dramatizada da peça A Inquisição dos Falos, de Cesar Moura, no Teatro Laura Alvim, nesta terça-feira, às 20 horas. O preço é simbólico: R$ 2.

22/05/2012


Morreu, no domingo, o músico Robin Gibb, um dos três irmãos que formaram o grupo Bee Gees. O britânico, de 62 anos, estava em tratamento contra um câncer de cólon e fígado, segundo sua família.

21/05/2012


A Casa da Leitura promove a palestra O Cinema Literário e Musical de Alberto Cavalcanti nesta terça, dia 22, às 18h30. A discussão ilustrada com filmes do diretor será ministrada por Sérgio Caldieri.

21/05/2012


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21/05/2012


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Na balada com Caio Fernando Abreu

Escritor gaúcho, morto em 1996, é o mote para uma das festas mais concorridas do momento

Matérias 03.09.2010 4 comentários

As atrizes da companhia Mulheres de Caio

As atrizes da companhia Mulheres de Caio  (Crédito: Le Pagliaro/ Divulgação)

Caio Fernando Abreu adorava uma farra. No início dos anos 70, era figurinha fácil nas Dunas do Barato, o lisérgico recanto de praia entre a Farme de Amoedo e a Teixeira de Melo, onde se reunia a vanguarda carioca. Festeiro e notívago durante grande parte da vida — a doença mudaria sua rotina —, o escritor gaúcho fazia questão de telefonar pessoalmente para uma lista interminável de amigos e conhecidos, convocando-os para suas sessões de autógrafos. Tinha receio de que ficassem vazias. Agora, 14 anos depois de sua morte, o autor de Morangos Mofados é a grande inspiração para uma das festas mais badaladas no cenário carioca: a novíssima Caio na Rampa.

A referência ao escritor, que aparece já no nome, se repete na decoração, na set list e, sobretudo, nos objetivos por detrás do evento. Quem paga os R$ 15 de entrada no Bar da Rampa, espaço do Clube Guanabara, em Botafogo, está contribuindo para a temporada de estreia de uma peça baseada em seus contos, bem como na consolidação de uma companhia teatral que, marotamente, intitula-se Mulheres de Caio.

As oito atrizes do grupo, todas com idades entre 25 e 30 anos, despertaram para a obra de Caio no fim do ano passado, durante um workshop com o dramaturgo Delson Antunes. Tão logo criaram a companhia, resolveram que não iriam depender de patrocínios ou sucesso em editais para levantar o dinheiro necessário à encenação. “Decidimos arregaçar as mangas para montar a peça ainda este ano, e assim tivemos a ideia de fazer a festa”, conta Paula Guimarães, uma das integrantes.

Só no boca a boca

Na noite de 27 de agosto, segunda e mais recente edição da Caio na Rampa, sacolejavam ao som do DJ Nepal cerca de 800 pessoas. Entre elas, rostos conhecidos da telinha, jovens atores globais e nomes como os músicos Bi Ribeiro e Mart’nália, além dos dramaturgos João Fonseca e Jô Bilac. Com Nepal, revezavam-se nas picapes, entre outros, Renata Gebara, Plínio Profeta, Rodrigo Coelho e a dupla Gustavo MM e Lincoln, também responsáveis pela trilha sonora da peça. Na decoração predominava o vermelho, para fazer jus ao universo de Caio F. Nas paredes, frases de alguns de seus contos, e um sugestivo varal de calcinhas.

“Bolamos o evento de olho na atmosfera dos livros”, justifica Carol Fazu, outra das atrizes do grupo. “Queremos trazer o Caio para dentro da festa.”

Sem uma estrutura profissional de divulgação — a existência do evento ainda não apareceu em nenhum jornal —, o sucesso da Caio na Rampa é atribuído ao bom e velho boca a boca. A filipeta só existe na versão virtual, e é enviada apenas à mailbox de conhecidos. Este é, aliás, outro fator que as atrizes consideram determinante para o êxito: “Parece festinha de amigo, aquela coisa que circula de forma velada. Mas, quando você vê, tem 800 pessoas lá dentro”, comenta Paula. O staff é de voluntários, do designer que criou o e-flyer à VJ. E a produção fica toda a cargo das oito atrizes que, de uma hora para a outra, se viram às voltas com planilhas de contabilidade e organização do estacionamento.

Para ‘esculhambar’

Passando ao largo desses detalhes dos bastidores, a seleção musical é das mais ecléticas, com hits do brega ao funk, o que inclui rock, dub, samba e cúmbia. “É para ser bagaceira total, é para se jogar”, anima-se Paula, lembrando que o universo de Caio circula, não raro, pela loucura e pelos excessos. Por isso, a ideia é não economizar no que ela chama “esculhambação” - no sentido mais alegre da palavra, ela faz questão de frisar.

Talvez o termo não agrade muito aos leitores mais ortodoxos do escritor, jornalista e dramaturgo (sim, Caio manteve um flerte com o teatro). Mas fato é que o culto à sua obra tem crescido nos últimos anos, e uma de suas bases é justamente o seu poder de retratar o contemporâneo, com suas angústias e desvarios.

As Mulheres de Caio, porém, insistem que buscam uma vertente pouco explorada da sua bibliografia. “Caio tem sido muito encenado nos últimos tempos, mas não é usual dar destaque às vozes femininas de sua obra. E o discurso da mulher está muito presente em seus textos”, aponta Paula. “São mulheres de todos os tipos, das decadentes e abandonadas às mais ousadas. Talvez um traço comum entre elas seja a dificuldade de realizar o amor”.

Dirigido por Delson Antunes, o espetáculo Mulheres de Caio é resultado da pesquisa empreendida pelo grupo desde o início do ano. Estreia no dia 25 de setembro, dentro do festival A cena da cidade, no Ibam Cultural, no Humaitá — mesmo lugar onde fica em cartaz durante todo o mês de outubro. Como estarão mergulhadas no espetáculo, as atrizes pretendem fazer um intervalo nas festas do Bar da Rampa. Mas garantem: vão retomá-las até o fim do ano.

Além de Paula e Carol, as Mulheres de Caio são Rhavine Chrispim, Patrícia Elizardo, Linn Jardim, Joana Gervais, Larissa Sarmento e Bruna Spínola.


Colaboração de Juliana Krapp



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