

Leitura dramatizada da peça A Inquisição dos Falos, de Cesar Moura, no Teatro Laura Alvim, nesta terça-feira, às 20 horas. O preço é simbólico: R$ 2.
22/05/2012
Morreu, no domingo, o músico Robin Gibb, um dos três irmãos que formaram o grupo Bee Gees. O britânico, de 62 anos, estava em tratamento contra um câncer de cólon e fígado, segundo sua família.
21/05/2012
A Casa da Leitura promove a palestra O Cinema Literário e Musical de Alberto Cavalcanti nesta terça, dia 22, às 18h30. A discussão ilustrada com filmes do diretor será ministrada por Sérgio Caldieri.
21/05/2012
Contemplado pelo edital de novos autores, Gui Mallon lança seu novo livro, 'A caravela', nesta quinta-feira, 24/5, às 17h, na Biblioteca Pública de Niterói
21/05/2012
Histórias e lendas da Biquinha Santa
Em Santa Maria Madalena uma nascente de água atrai turistas e produz histórias desde 1880
Matérias 09.02.2010 deixe aqui seu comentário
“Talvez por espírito de imitação comum à raça latina, de que fazemos parte, a água da biquinha ganhou foros de milagrosa, notadamente num raio de trinta léguas... Atribui-lhe a cura de um tuberculoso que veio a ter, já em estado adiantado da doença, a estas paragens...”. A notícia foi publicada no jornal A Semana, em 05.10.1924, pelo jornalista Theofilo Guimarães.
A gruta de Nossa Senhora de Lourdes, mais conhecida como Biquinha Santa, fica na rua Valdir da Costa Cabral, centro do município de Santa Maria Madalena, e guarda muitas histórias e lendas que transformaram o local num dos pontos turísticos mais visitados da cidade.
O município tem pouco mais de vinte mil habitantes e é terra da comediante Dercy Gonçalves, que lá foi enterrada. Anos antes da sua morte, ela deu um depoimento à roteirista e escritora Maria Adelaide do Amaral, no qual citou a Biquinha Santa.
"Na minha infância não havia eletricidade. A luz era de lampião, não tínhamos guarda-roupa... A vida se resumia à minha família, às vizinhas e a uma biquinha onde as pessoas costumavam beber água. Dizia-se que era água santa, e quem bebesse não saía mais de Madalena. Era um mundo acanhado. A gente não tinha nada, mas tinha tudo."
Em pesquisa da Casa da Cultura Professor Francisco Portugal Neves, a história começa em 1880, quando chegou ao município um rico senhor chamado José Teixeira, proprietário de um hotel na Rua da Quitanda, no centro do Rio de Janeiro. O senhor, diziam os médicos, era um caso perdido, pois estava acometido de tuberculose e procurou a cidade pelo seu clima frio, que era aconselhado para tratar a doença. Certo dia, caminhando na antiga estrada geral, sentiu sede e notou um fio de água límpida que rompia numa das margens da via. Teixeira apanhou uma folha de inhame, fazendo dela uma concha, e bebeu grande quantidade. Voltando ao centro da vila, proclamou a limpidez e o sabor do líquido, passando a ingerir a água da biquinha todos os dias após a caminhada. O senhor Teixeira melhorou de saúde, regressou ao Rio de Janeiro, e faleceu muitos anos depois de outra doença.
A fama da água se espalhou e a partir daí muitas pessoas tuberculosas, principalmente moradoras da cidade de Campos dos Goytacazes, passaram a procurar Santa Maria Madalena, a fim de tomarem da água bendita.
Em 1929, o Sr. Alcindo Saraiva, avô do atual secretário de educação e cultura, Nelson Saraiva, também deixou a cidade de Campos para vir se tratar com a água da Biquinha. “Ele trabalhava como mecânico na companhia de bondes de Campos e ficou doente. Foi aconselhado a vir para cá. Mudou-se com a família, tomava a água todos os dias, e só veio a falecer 44 anos depois” . Segundo o secretário, existem muitas lendas, muitas crenças envolvendo a nascente, mas o clima e outros fatores podem ter sido decisivos na cura da doença do seu avô.
A importância da biquinha pode ser registrada até na descrição heráldica do brasão de Santa Maria Madalena. Existe um nicho-gruta onde se destacam valores religiosos e faz lembrança ao alívio e esperança que a água trouxe a tantos doentes. O idealizador deste brasão, num soneto, lembra os possíveis milagres :
Nossos avós e nossas mães, orando,
Beberam desta água milagrosa
E com sua alma pura e ferverosa
Pensaram em nós, ao nosso bem visando ...
Entes queridos ! Nós também pensando
Na vossa alma boa - alma formosa -
Trazemo-vos a nossa, mui saudosa,
- Filhos e netos gratos - recordando !
Vossa terna afeição foi tanta e tanta,
Que os milagres desta “Biquinha Santa”
Se tornaram sinais de fé e amor:
Fizestes desta água (água terrena)
Um altar de Maria Madalena,
Onde podemos ver Nosso Senhor ...
Colaboração de Alvaro Lutterback
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