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14/05/2013
Entre a luz e as trevas
Estrelada por Ney Matogrosso, continuação de 'O Bandido da Luz Vermelha' recupera a energia do Cinema Marginal
Matérias 03.05.2012 1 comentário
Em aguardada sequência de O Bandido da Luz Vermelha, a voz grossa de Paulo Villaça dá lugar ao som suave produzido pelo ar que sai dos pulmões de Ney Matogrosso. Continuação do clássico de Rogério Sganzerla que revolucionou a linguagem do Cinema Marginal, Luz nas trevas chega às salas do país, nesta sexta (4/5), com tom de homenagem e fôlego de inovação. Depois de passar por importantes mostras, como o Festival de Cinema de Locarno, na Suíça, e o Festival Internacional de Cinema de Santa Barbara, nos EUA, a produção, dirigida por Helena Ignez, viúva de Sganzerla, e por Ícaro Martins, chega ao circuito comercial.
Na trama do filme, o personagem Luz Vermelha (Matogrosso) volta à cena 40 anos depois do primeiro longa - ao contrário do que todo mundo pensava, o lendário bandido que aterrorizou São Paulo nos anos 60 não morreu eletrocutado. Detento em um presídio de segurança máxima, ele tenta lidar com a fama de ser um dos criminosos mais famosos do país. Enquanto isso, seu filho, o também salteador Tudo-ou-Nada (André Guerreiro Lopes), segue os passos do pai, cometendo roubos a fim de conquistar mulheres e desfrutar de prazeres materiais.
Um projeto de família
Luz nas trevas é uma produção que tampa proveitosamente a panelinha familiar. Baseado em um roteiro deixado pelo próprio Sganzerla, morto em 2004, o projeto da fita é comandado por Helena, que foi musa e esposa do cineasta vanguardista. Além disso, o trabalho conta com a participação da filha do casal, Djin Sganzerla, que, na história, contracena com seu marido, o ator André Guerreiro Lopes. “Esse filme é, sobretudo, um projeto de uma família cinematográfica. Rogério foi um ícone do cinema brasileiro, reconhecido internacionalmente, e eu tenho mais de 40 anos carreira. Minhas filhas nasceram nesse ambiente e seguiram seus caminhos sob essa influência artística”, explica Helena. O elenco ainda inclui um conjunto de participações afetivas, como Sérgio Mamberti, Simone Spoladore, Arrigo Barnabé, Paulo Goulart e Maria Luísa Mendonça.
A presença luxuosa de Ney Matogrosso, por sua vez, veio a partir de um carinhoso convite de Helena depois de uma apresentação do cantor durante a turnê Inclassificáveis. A nova vida que ele dá a Luz Vermelha combina serenidade ao exibicionismo sedutor de artista. “Para mim, o Ney era o intérprete ideal para fazer esse personagem, tão marcado pela brilhante interpretação do Paulo Villaça. Ney é um ícone da liberdade, como intérprete e como ser humano. Sempre teve uma postura forte e uma atitude para romper tabus. No filme, Luz Vermelha deixa de ser um bandido, para se transformar em alguém mais centrado, que pensa e lê muito. Dessa forma, juntamos a fome com a vontade de comer, e o Ney aceitou o convite logo de cara”, detalha a diretora.
O performático cantor, que ama fazer cinema pelo motivo de não precisar se ausentar muito tempo dos palcos, conta que não fez laboratório para viver o personagem. “Eu não me preparei para o papel. Quando Helena me fez o convite, ela pediu que eu fosse espontâneo. Chegando mais perto das filmagens, eu comecei a ficar inseguro e ela reforçou que queria veracidade na minha maneira de atuar. Então, eu pedi que ela me conduzisse”, lembra Ney Matogrosso.
O radicalismo e a complexidade artística da obra de Sganzerla são retomados em ato de tributo estético em Luz nas trevas. “O filme é muito feminino e tem muito do espírito do Rogério [Sganzerla]. Eu costumo dizer que é uma produção ‘gângster pacifista’, já que não utilizamos armas de fogo mortíferas, e as balas ganham novos significados”, conta a cineasta. “O longa tem uma linguagem pop, cheia de citações e referências, e uma narrativa muito abrangente”, acrescenta o cantor.
O lançamento de Luz nas trevas completa um ciclo de sonho e de realização profissional de Helena. “O longa foi exibido e premiado em importantes festivais da Europa, dos EUA e do Brasil, e agora chega às salas comerciais. Espero que o público receba o filme com carinho, como tem recebido em todas as exibições até agora. Os espectadores saem alegres e falando alto depois das sessões. É realmente uma produção cheia de energia”, conclui a diretora. “Percebo uma enorme euforia nas pessoas que assistem ao filme, e isso é ótimo”, arremata Matogrosso.
Colaboração de Camila Lamha
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