

Abriram hoje as inscrições para o Curta Criativo 2013 do Sesi Cultural. Mais informações aqui.
21/05/2013
Estão abertas as inscrições para a oficina que o francês Maurice Durozier, do Théatre du Soleil, ministrará no Armazém da Utopia (Cais do Porto), entre 18 e 22/05. Mais informações aqui.
16/05/2013
Estão abertas até o dia 20/05 as inscrições para a 4ª edição da Revista Machado de Assis, editada pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN). Mais informações, aqui.
15/05/2013
Estão abertas as inscrições para a edição 2013 da Semana do Audiovisual - SEDA, maior festival de cinema livre do país. Interessados devem inscrever-se aqui.
14/05/2013
Crônicas de afeto
Superintendente executivo do IMS, Flávio Pinheiro fala sobre a relação de cumplicidade e afinidade artística de Otto Lara Redente e Paulo Mendes Campos, que completariam nove décadas este ano
Matérias 14.05.2012 1 comentário
Uma amizade marcada pela literatura e uma literatura marcada pela amizade são princípios que definiam a relação entre Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos. Conterrâneos, os dois escritores nasceram no mesmo ano de 1922 e morreram praticamente juntos - Paulo, em 1991, e Otto em 1992. Integraram, ao lado de Fernando Sabino e de Hélio Pellegrino, a chamada geração mineira de 1945 e reinventaram o gênero da crônica jornalística, criando, em textos muitas vezes curtos, obras de grande importância literária. No ano em que completariam nove décadas, a dupla de autores é homenageada pelo Instituto Moreira Salles, que conserva acervos com as obras dos dois companheiros. Flávio Pinheiro, superintendente executivo da fundação cultural, fala sobre o diálogo de carinho e arte entre Otto-Paulo e Paulo-Otto.
Você reorganizou, nos início dos anos 2000, a obra de Paulo Mendes Campos, reeditada pela Civilização Brasileira. É também superintendente executivo do Instituto Moreira Salles, que possui, desde 2011, um acervo com arquivos do escritor, e, desde 1996, um acervo com livros, manuscritos, fotos e correspondências de Otto Lara Resende. Qual é a sua relação afetiva com o trabalho dos dois autores?
Conheci os dois pessoalmente no final de suas vidas. Fui apresentado ao Paulo, em meados da década de 80, e ao Otto já na década de 90. Não tivemos muitas conversas, mas certamente foram boas conversas. A minha ligação com eles não é só afetiva, mas fui um leitor do trabalho dos dois, que tinham temperamentos e estilos muito diferentes. O Otto era mais frasista, tinha grande curiosidade intelectual e se interessava por assuntos como política e o cotidiano do Brasil. Já o Paulo tinha uma argúcia enorme como leitor de boa literatura. O Otto era um romancista de pequena literatura, mais um cronista, enquanto o Paulo tinha uma produção literária maior. Tive uma relação de leitor antes de conhecê-los.
Os conterrâneos Paulo e Otto foram muito amigos. Ao lado de Fernando Sabino e Hélio Pellegrino, integraram a geração mineira de 1945. Nos anos 1940, mudaram-se para o Rio e passaram a colaborar para jornais e revistas daqui, sem nunca deixar de trocar correspondências. A relação dos dois era realmente de amizade ou mais marcada por uma afinidade literária?
A relação dos dois era de grande amizade e forte cumplicidade. Otto contava que o primeiro que ele conheceu da chamada geração mineira foi o Fernando Sabino, e os dois frequentavam a casa um do outro já na infância. Mas, a partir dos 18, 20 anos, esse quarteto [Otto, Fernando, Paulo e Hélio] estabeleceu uma grande relação de amizade. A vinda dos quatro para o Rio foi bem parecida, aconteceu mais ou menos na mesma época. Eles criaram lanços muito fortes porque tinham a mesma origem mineira na capital, que era um tambor de ressonância cultural e política do país. A relação de Otto e Paulo era, acima de tudo, de amizade. Os dois construíram muitas afinidades literárias e de pensamentos e foram alargando essas afinidades ao longo dos anos. Mas havia também outros nomes importantes, como o jornalista Wilson Figueiredo, que era conhecido como o quinto membro do grupo. O círculo também se expandiu no mundo literário e artístico do Rio de Janeiro. Eles foram grandes amigos de Vinicius de Moraes, de Rubem Braga e de Manuel Bandeira, a quem eles reverenciavam. Se relacionavam com Drummond, também mineiro – em 2011, Otto e Paulo estariam fazendo 90 anos e Drummond, 110. A origem do relacionamento dos dois começou na amizade e foi alargada pelas suas afinidades.
No aspecto formal, no que a obra deles se aproxima e o que as difere?
A obra dos dois se aproxima na questão do olhar para o cotidiano brasileiro. Eles transcendiam isso, na verdade, através de descrições autorais. Ambos escreviam crônicas, que têm por natureza formal a concisão, por questões mesmo do curto espaço no jornal. Otto escreveu toda a sua obra na Folha de São Paulo sempre em cinco parágrafos, que pareciam ser metricamente delimitados. Já o Paulo tinha um pouco mais de espaço, mas, ainda assim, pequeno. Os dois eram peritos na concisão. As suas escritas, no entanto, eram muito diferentes. Paulo era impregnado por poesia, tinha uma prosa mais poética e se interessava menos por política, se ocupava menos disso. Já Otto tinha uma prosa mais romanesca, era mais jornalista e tinha em si o cânone do jornalismo da relação com a realidade. Os dois se distinguiam em estilos, visões e temáticas, mas ambos tinham uma prosa muito transcendente - apesar da crônica ser considerada um estilo efêmero. As crônicas do Paulo eram até mais atuais que a do Otto, não importando a data em que eram escritas.
No ano de comemoração dos 90 anos de nascimento de Otto Lara Resende e de Paulo Mendes Campos, o IMS resolveu homenagear a obra desses dois escritores mineiros com o bate-papo “OTTO + PAULO = 180”, realizado no dia 3 de maio, com foco, sobretudo, no gênero da crônica. Além do seminário, o instituto promoverá outros eventos sobre os dois ainda este ano?
Ainda não posso falar muito sobre isso, mas estamos preparando algo para a Flip [Festa Literária Internacional de Paraty] deste ano. Desde o ano passado, alugamos uma “Casa Instituto Moreira Salles IMS” na cidade, e o endereço será o mesmo em 2012. Faremos uma exposição de fotos, que é a área mais importante do instituto, atividades da rádio virtual Batuta sobre literatura e os lançamentos das revistas Serrote #11 e Serrotinha, distribuída gratuitamente. Além disso, promoveremos algo em torno do diálogo Otto-Paulo, Paulo-Otto.
O acervo pessoal de Otto Lara Resende foi doado ao IMS em 1996. Em 2002, parte dessa coleção serviu de base para a edição do livro Três Ottos por Otto Lara Resende, pelo IMS. Neste mês, o IMS promoveu o lançamento do livro Machado de Assis por Otto Lara Resende – 162 frases do maior escritor brasileiro, com organização de Maria Lucia Rangel, editado pela Casa da Palavra. Quais são as últimas novidades no acervo do escritor? Alguma publicação sobre a confluência dos trabalhos de Otto e Paulo em vista?
Neste ano, queremos organizar as cartas do acervo do Otto, que são aproximadamente 8 mil. São majoritariamente correspondências passivas, cartas que ele recebia. Queremos organizá-las para pesquisa e estamos planejando uma publicação com essas cartas, que são o maior tesouro do acervo dele, em coedição com a Companhia das Letras, que detém os direitos autorais do Otto. Além disso, no dia do seminário [3 de maio], passamos um filmete curto, realizado por um aluno da PUC, sobre como os acervos dos dois escritores são organizados. O acervo do Paulo, especificamente, veio para recentemente e já pudemos constatar que há 53 cadernos de anotações escritos por ele, com observações de leitura, pequenas notas, cadernetas etc. Queremos também organizar esse conteúdo para fazer uma publicação de anotações do Paulo.
Qual é o legado que a dupla deixou para os jornalistas e escritores de hoje?
Eles deixaram o legado de uma obra em si, de fruição de leitores. Os dois foram autores de um vasto repertório vocabular e de múltiplos interesses. A crônica diária hoje deve muito aos dois em particular. Todos que escrevem crônicas os têm em alta conta. Um dos seus grandes ensinamentos é a ideia de uma crônica que permanece. Hoje você relê esse material e não o acha ligeiro ou passageiro. Eles deram um status à crônica relevante do ponto de vista literário. Aos jornalistas, digo que ambos, cada um à sua maneira, tinham estilo, e as suas narrativas eram essenciais para o ofício do jornalismo, além, é claro, da ação de fiscalização do poder, do apreço pela verdade etc. O bom jornalista precisa saber contar histórias. Um amigo meu diz que boas matérias são como cartas bem escritas, com encadeamento lógico e uma narrativa envolvente. Otto e Paulo foram narradores concisos. Ensinaram a narrar e a fazer bons relatos.
Colaboração de Camila Lamha
indique para amigo
versão para impressão
permalink
Compartilhe:
tags

comentários