

Estão abertas as inscrições para a oficina que o francês Maurice Durozier, do Théatre du Soleil, ministrará no Armazém da Utopia (Cais do Porto), entre 18 e 22/05. Mais informações aqui.
16/05/2013
Estão abertas até o dia 20/05 as inscrições para a 4ª edição da Revista Machado de Assis, editada pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN). Mais informações, aqui.
15/05/2013
Estão abertas as inscrições para a edição 2013 da Semana do Audiovisual - SEDA, maior festival de cinema livre do país. Interessados devem inscrever-se aqui.
14/05/2013
O Prêmio Rio Sociocultural divulgou os finalistas de sua quarta edição. Projetos de Cabo Frio, Maricá, Duas Barras e Casimiro de Abreu constam pela 1a vez da lista. Veja todos os finalistas aqui.
10/05/2013
Cacá Mourthé celebra os 60 anos de O Tablado
Diretora fala de sua trajetória e do lendário teatro que herdou da tia, Maria Clara Machado
Matérias 26.10.2011 1 comentário
Bolo, champagne, muitos abraços e lembranças de um tempo que formou grandes atores. Será assim a comemoração dos 60 anos de O Tablado, na primeira semana de novembro. O marco zero é dia 28 de outubro, mas a diretora, Cacá Mourthé, preferiu festejar o aniversário do teatro no último dia da apresentação de One Way - Uãnuêi, improviso com Pedro Cardoso e Graziela Moretti, no próximo dia 6 de novembro.
Os 60 anos do templo teatral falam por si. Não se conhece nenhuma companhia amadora – mas com status profissional – com tanto tempo de formação e sucesso. Maria Clara Machado, criadora e fundadora, haveria de estar feliz se estivesse viva, assim como seu pai, o escritor Anibal Machado, grande incentivador da filha.
Não tem explicação o fato de não ter sido encontrado um patrocínio ou mecenas que promovessem a festa. Mas Cacá Mourthé, sobrinha de Maria Clara Machado, não persegue uma resposta. Diz apenas: “Terá sido por causa do Rock in Rio? Realmente eu não sei. Mas faremos a nossa festa, porque não quero que a data passe em branco”.
De tia para sobrinha
Cacá Mourthé tinha um sonho recorrente que a acompanhou durante sua infância. Ela andava pela rua e a rua se abria em buracos. Ela despencava e caía no terreno do Patronato da Gávea, vizinho ao Teatro O Tablado. O lugar, então, virava um rio, por onde ela nadava e nadava, sem lcançar qualquer apoio . Acordava assustada e, antes de dormir, pedia para não ter o sonho nunca mais.
Atriz, autora, diretora e professora de teatro, Maria Clara Machado Mourthé, a Cacá, lembra que o pai, Geraldo Mourthé, engenheiro de profissão, acabou se tornando um grande psicanalista junguiano através da terapia com Carlos Byigton. A mãe, Aracy, passou pelas mãos da doutora Nise da Silveira. Lembra, também, que até a adolescência se sentia desajustada. Por causa disso , comunicou aos pais: “Ou vocês me internam no colégio Sacre-Coeur de Jesus, ou na terapia!”.
Foi assim que, aos 11 anos, ela foi estudar teatro no Tablado e, aos 14, começou sua trajetória, com um analista freudiano, José Maria Alves da Cunha. Depois de alguns anos, mudou para um junguiano. A análise parece ter feito um belo trabalho com Cacá, diante da naturalidade com que convive com sua múltipla criatividade. Ela tem os olhos rasgados e expressivos , jeito de menina quando fala: “Meu pai me educou em bases francesas; a famosa autorregulação, que dizia que não se deve impor nada aos filhos. Ele achava certo. ‘Come se quiser, toma banho se quiser’”.
Clara foi crescendo perto de Clara. A tia famosa tratou de prepará-la para que, um dia, ela tomasse para si a direção de O Tablado. Cacá não era nascida no tempo das domingueiras do avô Aníbal, mas lembra que a casa dos pais, número 179 da rua Redentor, também atraía muitos intelectuais: “Não fiz faculdade, mas nossa casa era um centro de reuniões com artistas, psicanalistas, e nós estudávamos e discutíamos cultura”
Os sonhos de Cacá, ora lúdicos, ora proféticos, acompanharam a ligação entre ela e a tia Maria Clara.“Sonhei uma vez que estava no aeroporto e me pediam meu passaporte. Quando o saquei da bolsa, descobria que a identidade era a da Maria Clara. Sonhos têm muito significado para mim. Tive muitos cadernos para anota-los. Tenho até hoje”, confessa.
Do primeiro marido,o ator e diretor Ricardo Kosovski, Cacá teve Pedro Mourthé Kosovski, hoje com 28 anos. “Ele é uma pessoa admirável. É autor de teatro e do musical Outside, adaptado de um disco de David Bowie. Conversamos muito, somos amigos. Fez psicologia, com mestrado na PUC . E vai ser pai”, conta, orgulhosa.
Neta querida do avô Anibal Machado, ela lembra que estava fora do Brasil quando Maria Clara ficou doente. “Estava estudando teatro na Academia Russa de Teatro, em Moscou, com professores russos. De lá, fui para São Petersburgo. Caiu uma neve braba naquele ano. A cidade seguinte seria Praga, mas resolvi voltar quando Clara ficou doente”, lembra.
A morte da tia a jogou na direção de O Tablado. Consequência de uma sucessão natural, quase uma predestinação. Maria Clara Machado já devia saber a quem deixar seu legado. O tempo e a arte fizeram o resto.
Colaboração de Lilian Newlands
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