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Notas

Por motivos de força maior, a CASA DE CULTURA LAURA ALVIM estará fechada durante o Carnaval. Será reaberta na quarta-feira de cinzas com todas as suas atividades culturais.

18/02/2012


O longa-metragem português Tabu, feito em coprodução com Brasil, Alemanha e França, venceu prêmio da crítica no 62º Festival de Berlim. O ator catarinense Ivo Müller é protagonista.

17/02/2012


Durante o Carnaval a Casa de Cultura Laura Alvim estará com o funcionamento parcial: apenas os cinemas, a livraria e o café estarão abertos. A galeria de artes e os teatros estarão fechados.

17/02/2012


Nova turnê do cantor Bob Dylan vai chegar ao Brasil. O astro começa série de shows pelo Rio de Janeiro, no Citybank Hall, no dia 15 de abril. Venda de ingressos começa a partir do dia 5 de março.

16/02/2012


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A sociedade alternativa de John Waters

Considerado o papa do trash, o cineasta de Baltimore, que marcou a década de 60, ganha mostra em sua homenagem

Matérias 26.01.2012 deixe aqui seu comentário

'Cry-baby' é uma paródia dos musicais adolescentes

'Cry-baby' é uma paródia dos musicais adolescentes  (Crédito: Divulgação)

Com seu bom humor e o peculiar bigodinho, John Waters deixou sua patente registrada na calçada da fama de Hollywood, ou melhor, de Baltimore, cidade natal do diretor e cenário de suas filmografia. E é para homenagear o lendário cineasta que a Caixa Cultural abre a mostra John Waters – O papa do trash, reunindo todos os longas-metragens realizados por ele, principalmente nos anos 60.      

Na temporada de exibição, que começa dia 31 de janeiro e segue até 16 de fevereiro, a casa leva ao público obras que desvendam o cinema underground, trash e a produção independente marcantes em sua trajetória. Além dos longas, a programação conta com curtas, remakes, filmes da musa Divine, uma série para televisão inédita no Brasil e documentários que o cineasta de Baltimore participou.  Haverá também um debate, dia 9 de fevereiro, com os jornalistas Arnaldo Bloch e Fernando Luís Ferreira e com o ator Fernando Ceylão sobre a obra do diretor. 

“John Waters não pode ser desvinculado da época que consolidou seu nome, na década de 60. Em plena era de ditaduras, contracultura e ceticismo pós-guerra, ele foi o responsável por lançar uma estética que pegava todos os valores da sociedade americana e os transformava em deboche”, relata Mario Abadde, curador da mostra e editor do Almanaque Virtual. Os filmes de Waters ficaram conhecidos por dar voz aos excluídos. Corajoso e engajado, questionava os dogmas que, até a II Guerra Mundial, eram respeitados e seguidos. 

É bem verdade que houve muitas 'facetas' de John Waters por aí, mas “o” John Waters é aquele que debocha dos valores familiares, dos dogmas da Igreja, do papel da mulher na sociedade. “O filme Pink Flamingo, por exemplo, traz à tela duas mulheres que disputam o posto de mais ridícula, chegando ao ponto de comer fezes para vencer. A ideia é ironizar as mulheres da década de 50 que disputavam o título de melhor cozinheira ou melhor mãe de família, por exemplo”, detalha Abadde. 

"Os filmes de John Waters, apesar de ‘trash’, ganharam carinho especial do público mais politizado: “Trash ou refinado, o público ‘cult’ gosta de filmes que tragam embutido um pensamento. A inteligência e o humor político, as metáforas visuais e uma série de outros elementos perpassam cada película de Waters”, avalia o jornalista Arnaldo Bloch, um dos presentes na mesa de debate.   
Segundo Bloch, os cineastas brasileiros deveriam se inspirar na veia cômica de Waters. “A comédia brasileira de hoje está perdendo em sofisticação e ganhando em velocidade e pobreza de espírito, na ânsia de atender ao que se chama, de maneira genérica, nova classe C. É um humor infantilizado (não confundamos com infantil) que deixa órfão o público que aprecia o mínimo de inventividade, tão típicos no cinema sessentista de Baltimore”, completa Bloch.

O cineasta de Baltimore não precisava de muita produção para levar à frente suas ideias. Carregando o ideal da “Câmera na mão e uma ideia na cabeça”, Waters tinha sua própria produtora, a Dreamlanders Production, que, com baixos orçamentos e dinheiro arrecadado de amigos e conhecidos, produziu filmes como Hairspray – Éramos tão felizes (1988), Multiple maniacs (1970) e A dirty shame (1990), todos presentes na mostra. Acabou conquistando uma série de atores – incluindo a drag queen Divine - que se tornaram recorrentes em sua obra.

Incoerência

Aos 65 anos, John Waters continua bastante ativo. Atualmente, ele roda o mundo com a turnê This filthy world, espetáculo stand up que narra a trajetória do cineasta, também disponível em DVD. Entretanto, faltam recursos para que Waters volte ao mundo cinematográfico. “As pessoas o amam, o adoram e seus filmes são muito falados. Mas, na hora de captar dinheiro para novas produções, Waters não tem apoio das grandes companhias. As importantes produtoras só pensam no lucro e John Waters gosta de temas alternativos e polêmicos, cujo sucesso de bilheteria e incerto”, explica o curador. 

Ainda assim, são as suas produções mais excêntricas que entraram para a história da cinematografia mundial. “John Waters considera Hairpray uma das produções mais ousadas e, no entanto, foi um dos longas que impulsionou sua carreira. A história é mesmo uma incoerência. Hairspray, totalmente fora dos padrões da mídia, emplacou nos cartazes de cinema”, completa Abbade. Waters teve a oportunidade de ver seu filme transposto para um musical da Broadway e vê-lo ser regravado nos estúdios de Hollywood. 

Confira mais em Programação Cultural


Colaboração de Renata Lima



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