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Notas

Leitura dramatizada da peça A Inquisição dos Falos, de Cesar Moura, no Teatro Laura Alvim, nesta terça-feira, às 20 horas. O preço é simbólico: R$ 2.

22/05/2012


Morreu, no domingo, o músico Robin Gibb, um dos três irmãos que formaram o grupo Bee Gees. O britânico, de 62 anos, estava em tratamento contra um câncer de cólon e fígado, segundo sua família.

21/05/2012


A Casa da Leitura promove a palestra O Cinema Literário e Musical de Alberto Cavalcanti nesta terça, dia 22, às 18h30. A discussão ilustrada com filmes do diretor será ministrada por Sérgio Caldieri.

21/05/2012


Contemplado pelo edital de novos autores, Gui Mallon lança seu novo livro, 'A caravela', nesta quinta-feira, 24/5, às 17h, na Biblioteca Pública de Niterói

21/05/2012


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A guerrilha de Bethânia

Cantora presta homenagem a Reynaldo Jardim, em show que celebra reedição do poema polifônico que o poeta escreveu para ela há 43 anos

Matérias 17.10.2011 deixe aqui seu comentário

Em testemunho emocionado, Reynaldo Jardim fala sobre Maria Bethânia Guerreira Guerrilha  (Crédito: Divulgação / Alisson Sbrana)

Reynaldo Jardim faleceu em fevereiro deste ano

Caso nada fosse feito, o registro do impacto que o poeta Reynaldo Jardim teve com a interpretação de Maria Bethânia para Carcará, com 18 anos, não teria durado mais de 15 dias. Esse foi o tempo que ficou disponível no mercado a edição única, lançada em 1968 com apenas cinco mil cópias, do livro Maria Bethânia Guerreira Guerrilha. Escrita por Jardim, a ode à cantora não resistiu a duas semanas de ditadura militar e foi considerada subversiva e pornográfica, sendo imediatamente calada pelo AI-5. Recolhido e queimado na época, o livro agora retorna em nova versão (Debê Produções / Móbile Editorial), organizada por Ramon Mello e Marcio Debellian, e ganha um recital da própria Bethânia, nos dias 18 e 19, de outubro no teatro Sesc Ginástico.


Após 43 anos de seu lançamento, a obra volta às prateleiras com novos conteúdos, incluindo um caderno da pesquisa feito pelos organizadores para contextualizar a época e um prefácio feito pelo professor Júlio Diniz. Jardim,  que morreu em fevereiro deste ano, também é homenageado, como explica o escritor Ramon Mello: “É uma grande história que demorou muito tempo para ser reeditada e traz um poeta importante, mas pouco falado atualmente”. Essa ‘história’ começa ainda em 1965, quando Reynaldo Jardim e muitos outros ficaram boquiabertos ao ver a jovem Maria Bethânia, recém chegada da Bahia, substituindo Nara Leão no espetáculo Opinião.


Recital


A cantora agora sobe ao palco do Sesc Ginástico para retribuir a homenagem. Ela também teve sua cópia de Maria Bethânia Guerreira Guerrilha, autografada pelo autor, queimada nos tempos da ditadura. Os militares, assustados com a obra, processaram Jardim e conduziram Bethânia para um depoimento. Anos depois, um abraço reaproximou os dois, já que Reynaldo havia se afastado da cantora para não prejudicá-la: “Ele foi redimido pela própria Bethânia”, relembra Ramon.


Segundo o produtor Marcio Debellian, a ideia de envolver Bethânia com o projeto veio com a proposta de republicar o livro: “Mesmo antes de consolidar o projeto, nós informamos a ela nosso desejo. Conseguimos seu apoio e confirmamos o recital, como uma forma de também homenagear o Reynaldo Jardim”. O evento vai contar também com a participação do ator Elias Andreato, que lerá trechos da obra.


Para ser ouvido


Impressionado com a apresentação vista em 1965, Reynaldo Jardim pajeou sua musa e o projeto do livro durante três anos, chegando a ler alguns trechos no próprio Teatro Opinião, na presença de Bethânia. Na hora de compor a obra, Jardim ousou e criou um poema polifônico, como explica Mello: “Existia também uma ditadura de linguagem que exigia um padrão e um tipo de letra. Jardim optou por usar todas as tipologias que havia na gráfica, e isso já era ousadia. E dependendo de como você faz a leitura, é outro poema”.


Já Debellian ressalta que a obra foi feita para ser ouvida: “É um poema que deve ser mais escutado do que lido. Na forma em que o Reynaldo escreveu, o livro deveria ser lido por três vozes, acompanhadas de um atabaque”. Mesmo tendo sido considerada pornográfica, a publicação só fazia uma referência ao órgão sexual feminino que, segundo o próprio Jardim, “é a palavra mais bonita da língua portuguesa”.


Pesquisa


Pouco tempo se passou entre a decisão de  levar o projeto à frente até sua conclusão. Em abril, Debellian e Mello começaram a negociar os direitos autorais da obra, enquanto faziam a pesquisa em bibliotecas e tinham acesso ao acervo pessoal de Jardim. “Comecei a buscar pela obra e não achava nas livrarias, estava esgotado”, explica Mello, que complementa: “Quando encontrei o livro na internet, o preço era tão absurdo que saiu mais barato comprar os direitos autorais”. Com a ajuda da viúva de Reynaldo Jardim, Ramon e Marcio tiveram acesso não só ao original de Maria Bethânia Guerreira Guerrilha, como também a reportagens da época, de jornais como O Sol.


Confira mais informações em Programação Cultural.


Colaboração de Gustavo Durán



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