

Leitura dramatizada da peça A Inquisição dos Falos, de Cesar Moura, no Teatro Laura Alvim, nesta terça-feira, às 20 horas. O preço é simbólico: R$ 2.
22/05/2012
Morreu, no domingo, o músico Robin Gibb, um dos três irmãos que formaram o grupo Bee Gees. O britânico, de 62 anos, estava em tratamento contra um câncer de cólon e fígado, segundo sua família.
21/05/2012
A Casa da Leitura promove a palestra O Cinema Literário e Musical de Alberto Cavalcanti nesta terça, dia 22, às 18h30. A discussão ilustrada com filmes do diretor será ministrada por Sérgio Caldieri.
21/05/2012
Contemplado pelo edital de novos autores, Gui Mallon lança seu novo livro, 'A caravela', nesta quinta-feira, 24/5, às 17h, na Biblioteca Pública de Niterói
21/05/2012
A democracia carnavalesca em pauta
Foliões discutem ecletismo musical e se ainda há espaço para o lirismo no tríduo momesco
Matérias 08.02.2012 deixe aqui seu comentário
O bloco 'Toca Rauuul' foi criado no ano passado, para homenagear o 'maluco beleza' (Crédito: Clarissa Pivetta/Divulgação)
O número impressiona mesmo: este ano, a Riotur (Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro) concedeu autorização para que 425 blocos desfilem pelas ruas da cidade. Desde o fim dos anos 90, essa valorização das manifestações populares carnavalescas, consagradas na década de 50 e começo da de 60, fica cada vez mais forte – e também democrática. A festa de Momo, hoje, não abriga apenas as agremiações tradicionais, que tocam marchinhas, maracatu, samba de raiz. Agora o folião mais eclético pode brincar carnaval ao som de rock, sertanejo, música brega. É só escolher.
Uma dessas vertentes é o bloco Toca Rauuul, que surgiu em 2011 para homenagear o cantor Raul Seixas do qual todos os integrantes do bloco são fãs. “Além disso, achamos que as pessoas gostariam de ver esse tributo acontecer”, avalia Eduardo Marques, um dos integrantes. O bloco sairá na Praça Tiradentes, no domingo de carnaval, dia 19, e deverá levar às ruas não só os fãs do cantor, “mas pessoas que gostam do carnaval, de diversos estilos e idades. Achamos que vai ter um pouco de cada”, acrescenta. Para quem curte rock como o estudante Fernando Biscaia, os blocos que tocam este estilo saem na frente. No último carnaval, ele conferiu o desfile do bloco Sargento Pimenta, que homenageia os Beatles. “Gosto de rock, não curto muito o estilo tradicional dos blocos. A diferença para mim é o astral, você fica surpreso com a inovação”, opina.
Também criado no ano passado, o bloco Fogo e Paixão tem a música brega como tema – e, este ano, vai prestar uma homenagem a Wando (que morreu nesta quarta-feira, 8/2), uma das inspirações da agremiação. A ideia surgiu ao acaso, já que os integrantes do ‘Fogo’, que pertenciam a outros blocos, sempre tocavam música brega no auge das apresentações.
“Nos perguntamos por que não fazer um bloco brega? A partir daí, divulgamos nas redes sociais. Como somos amigos de longa data, uma pessoa começou a falar do bloco para a outra e a repercussão foi enorme. Tanto que, no ano passado, a quantidade de pessoas superou nossas expectativas”, afirma Pedro Martins, que toca tamborim no Fogo e Paixão. Através do “boca a boca virtual”, o bloco que esperava reunir 500 foliões, acabou atraindo cerca de 1.500 pessoas de diversas tribos. “Da Zona Sul, ao subúrbio, à Zona Norte, todos curtem o bloco”, diz Pedro. Uma delas é a estudante de moda Juliana Poncy que prestigiou a estreia da folia, em 2011. “Prefiro participar de bloquinhos da Zona Sul e Centro. O ‘Fogo’ foi incrível, um clima ótimo, sem aquele ar de ‘carnaval da Bahia’, entende!?”. (O bloco desfilou no Largo de São Francisco no Centro, no domingo, dia 12).
Adepto dos blocos tradicionais como Céu na Terra, Cordão do Boitatá, Gigantes da Lira, ou os chamados blocos “off”, como o Sertão vai virar mar, que saiu no centro ano passado, o advogado Gustavo Calani, por sua vez, contesta o distanciamento da festa de seu lirismo típico. “Não curto a ideia desses novos blocos que estão surgindo. A espontaneidade é algo muito importante e fazer um bloco voltado para ser ‘modinha’ não me agrada”, opina Calani, que passou oito carnavais na cidade e vai viajar este ano. “Não estou gostando da transformação do carnaval. Acho que a autorização para os blocos saírem nas ruas tira o verdadeiro espírito da festa, que é o desbunde, a fanfarra e a espontaneidade”, afirma. Porém, um verdadeiro folião não se deixa render e, antes da viagem, ele vai participar do desfile do lírico Gigantes da Lira, voltado ao público infantil, no próximo domingo. “Só para não desgarrar 100% e porque o bloco é lindo”, conclui.
Fantasias em alta
Para Thiago di Sabbato, um dos integrantes do Bangalafumenga, bloco que completará, em 2013, 15 anos de existência, há a preocupação em não se perder a alegria e espontaneidade do carnaval apesar da profissionalização da festa. Segundo Pedro Martins, muitos blocos incentivam o uso de fantasia e trazem em si o espírito do carnaval. “Mesmo com a diversidade, o gene do carnaval é a democracia, a gratuidade dos blocos, o fato de todos poderem curtir sua festa. Isso é manter a tradição”, avalia. E em meio à variedade de shows oferecidos no carnaval, Thiago diz que os novos blocos contribuem para trazer algo diferente às ruas. “Acho bacana este movimento de renovação. Para mim, é totalmente cabível a mistura de Beatles com samba”, afirma. Segundo ele o ‘Banga’, que sairá este ano no Aterro do Flamengo, dia 19, levará a tradição da sua “mistura de ritmos brasileiros, como maracatu e ciranda. Pirando sempre nas experimentações”, acrescenta.
A cenógrafa Bianca Saullo também acredita que a miscelânea de ritmos faz parte da festa. Ela, que desfila nos blocos mais tradicionais como Cordão do Bola Preta, Simpatia é Quase amor, e nos mais recentes como Orquestra Voadora, não sente diferença tão grande entre os estilos dos blocos. “A novidade atrai as pessoas e ajuda o carioca a não cair na rotina de marchinhas só por ser carnaval. Com o passar dos anos, a cidade tem, cada vez mais, blocos novos. Tem que inovar mesmo. Carnaval é cultura, é mistura de ritmos, estilos...”, acrescenta.
A diversificação do carnaval também agrada um músico experiente, o coordenador do bloco Céu na Terra, Jean Beyssac. “A criação de um bloco sobre Raul foi maravilhosa. Esta ideia estava pipocando no ar e foi mérito total de quem criou”, elogia. O Céu na Terra, um dos mais tradicionais blocos da cidade, surgiu em 2000, resgatando o carnaval de rua de décadas atrás. O cortejo da trupe, que sai no sábado de carnaval, 18, costumava partir para a festa em cima do bonde em Santa Teresa. Desde o ano passado, porém, sai pelas ruas do bairro ‘no chão’, devido ao acidente no veículo, que causou mortes e deixou várias pessoas feridas. Segundo Jean, mesmo com a ausência dos bondes e apesar da lotação do Céu na Terra e outros blocos, o lirismo do carnaval não está perdido.
“Incentivamos os foliões a irem fantasiados. Blocos como o ‘Céu’ e Boitatá, por exemplo, seguram esta onda, tocando músicas acústicas, marchinhas de antigamente. Crianças participam, as pessoas cantam junto com o bloco ainda...”, enumera Para quem pula carnaval desde pequeno e acompanhou a transformação da folia de rua, as lembranças são as mais diversas.
A atriz Patrícia Weiss aproveitou a festa durante 10 anos e, agora, confessa, já não consegue seguir a folia. “Para quem viu isso tudo começar já não dá mais para acompanhar o ritmo. Eu sempre gostei muito deste carnaval que é de dia, bem cedo e para todas as idades. Também porque todos que participavam se fantasiavam muito e iam para brincar. Fiz muitos amigos assim, e não tinha segundas intenções nisso, era muito tranquilo”. Bianca, que mora no Rio há oito anos e pula carnaval há sete, ainda tem fôlego, muito devido às opções diversas que a folia nas ruas propõe. “Adoro os blocos clássicos, mas sou a favor da inovação. Têm surgido muitos blocos bacanas”. Aos que desejam curtir as novidades, optar pelos desfiles tradicionais, ou, por que não, aproveitar todos os que aguentar, Patrícia apresenta as palavras-chave de quem conhece o legítimo carnaval: “Se mantiver o espírito da brincadeira, está valendo! O importante é brincar!”.
Leia aqui a programação dos principais blocos que desfilam nos quatro dias de Carnaval
Leia aqui a programação de ressaca de carnaval
Colaboração de Vanessa Didolich Cristani
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