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Leitura dramatizada da peça A Inquisição dos Falos, de Cesar Moura, no Teatro Laura Alvim, nesta terça-feira, às 20 horas. O preço é simbólico: R$ 2.

22/05/2012


Morreu, no domingo, o músico Robin Gibb, um dos três irmãos que formaram o grupo Bee Gees. O britânico, de 62 anos, estava em tratamento contra um câncer de cólon e fígado, segundo sua família.

21/05/2012


A Casa da Leitura promove a palestra O Cinema Literário e Musical de Alberto Cavalcanti nesta terça, dia 22, às 18h30. A discussão ilustrada com filmes do diretor será ministrada por Sérgio Caldieri.

21/05/2012


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21/05/2012


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A dança política que nasce em Macaé

Companhia Membros constrói trajetória peculiar no balneário fluminense

Matérias 24.09.2010 1 comentário

Imagem do espetáculo Meio-Fio

Imagem do espetáculo Meio-Fio  (Crédito: Joao Braz/ Divulgação)

Eles chegam misturados aos homens de negócios que desembarcam diariamente naquele balneário do norte fluminense, falando diferentes línguas. Não estão, porém, envolvidos com a cadeia petrolífera predominante no município. Em vez dos centros de convenção e das sedes de empresas, pedem aos taxistas que toquem para o afastado bairro de Sol e Mar. Passam totalmente ao largo do offshore: estão em Macaé para conhecer a nativa Companhia Membros, internacionalmente famosa por sua original conjunção de dança e política.

Na sede da companhia, o diretor artístico Paulo Azevedo e a coreógrafa Taís Vieira incitam seus intérpretes à “Linguagem Membros”: conjunto de suas indefiníveis estratégias de composição, que alicerçaram espetáculos bem-sucedidos e provocantes como Raio-x, Febre, Meio-fio e Medo. Neles, misturam linguagens e brincam com a noção de espaço público. Exploram temáticas como liberdade, violência, alienação e exclusão. Assumem que não têm as características das coreografias de festival. No todo, rejeitam qualquer tipo de rótulo ou fórmulas. Volta e meia, inclusive, questionam-se quanto à possibilidade de intitular seu trabalho de “dança”. Mas, para facilitar a vida da plateia, dos jornalistas e dos críticos, eventualmente permitem chamar-se “dança política”.

“Entendemos o corpo como uma gramática política alternativa”, define o diretor artístico Paulo Azevedo. “É alternativa porque traz de volta ao debate, e com novas leituras, questões mergulhadas no senso comum”.

Fato é que, em 11 anos de existência, a dança política da Membros já apresentou o seu trabalho em mais de 20 países e 200 cidades, nos quatro continentes. Ganhou seis prêmios internacionais e três nacionais. Recebe gente do mundo todo em sua sede - pessoas querendo descobrir o segredo da vibração que descortinam em suas apresentações. E mantém em funcionamento, além da companhia, uma Escola de Formação, também em Macaé, na qual os alunos são treinados na sua filosofia — ou seja, treinados para, na verdade, destreinar-se nos meandros da dança convencional e investir na subjetividade que marca o trabalho do grupo, amparado nas características pessoais de cada um dos chamados “intérpretes-criadores”.

Candelária

Os integrantes da companhia estarão no Rio de Janeiro em 8 de outubro, para a tarde de autógrafos do livro Membros – A história de um corpo político em cena, na Livraria Leonardo da Vinci. A obra apresenta os conceitos que norteiam o trabalho do grupo, e foi publicado no início do ano, ainda como parte das comemorações pelos seus 10 anos. Além dele, foi lançado um documentário, M10, de Filipe Itagiba, que narra a trajetória da Membros.

Em 11 de outubro, farão uma apresentação do espetáculo Meio-fio no Centro do Rio, no projeto “Amanhã não haverá o Dia das Crianças na Candelária”, em memória às crianças mortas na chacina de 23 de julho de 1993. É um “ato público de dança”, dizem.

Na semana anterior, vão montar uma série de interferências pela cidade, em espaços como a Praia de Copacabana, o Largo do Machado e a Avenida Rio Branco. Enigmático, Paulo garante que não pode dizer como serão essas intervenções. “É surpresa, ora. Nem os intérpretes sabem o que pode acontecer. Aliás, pode anotar aí que a Membros é sinistra: ninguém sabe o que vai fazer na rua, acontece na hora”, brinca o diretor, de 35 anos, que viu um acidente de carro transformar-se na gênese de sua companhia.

Foi em meados dos anos 90. Formado em educação física, ele aproveitava a ebulição do movimento break em Macaé. Nas ruas ou em espaços improvisados, a juventude do balneário tentava copiar os passos que via no filme Flash Dance e nos clipes de Lionel Ritchie. Enquanto se recuperava do acidente, Paulo passou a reunir alguns amigos — entre eles, Tais — para dançar em sua garagem. Reunidos num lugar fechado, começaram a traçar as reflexões que culminaram na criação da companhia.

A trajetória do grupo prosseguiu na contramão de contornos convencionais. No início, os intérpretes faziam as vezes de estátuas vivas em esquinas e vitrines de lojas. A ideia de lidar com a temática da violência veio a partir da leitura de Carandiru, de Dráuzio Varella. E o nome da companhia foi inspirado no Grupo Corpo, de Minas: “Taís e eu estávamos assistindo a um dos espetáculos deles. Pensamos: ‘se eles são o corpo, podemos ser os membros’”.

Os intérpretes da companhia são todos originários de escolas públicas da cidade. Em vez de habilidades ou conhecimentos prévios de dança, os jovens selecionados pelos líderes da companhia tiveram de mostrar uma característica que diz muito sobre a verve da Membros: uma inclinação para a diferença. “Para dar um exemplo superficial de como fazemos nossa escolha, digamos que é mais ou menos assim: num pátio cheio de jovens, que dançam diferentes ritmos, todos vão, em determinado passo, para a esquerda. Um deles vai, solitário, para a direita. E acredita que está tomando a decisão correta. É esse que escolhemos”, ilustra Paulo.


Colaboração de Juliana Krapp



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