Secretaria de Cultura

Viagem sensorial


19.01.2012    1 comentário


Não é dita uma só palavra durante 90 minutos. Mas, convenhamos: um filme que tem Eu não existo sem você, na voz de Elizeth Cardoso, Garota de Ipanema, na de Frank Sinatra, e é recheado de sucessos de um dos nossos maiores compositores não precisa mesmo de oratória. Assim é A música segundo Tom Jobim, documentário musical de Nelson Pereira dos Santos, codirigido com Dora Jobim, que entra em circuito nesta sexta-feira, 20/01, no Rio de Janeiro e outras dez cidades brasileiras, com apoio do Governo do Estado e da Secretaria de Estado de Cultura.   

A ideia é que canções como Insensatez, Samba de uma nota só e Desafinado, interpretadas por nomes como Gal Costa, Frank Sinatra, Paulinho da Viola, Gilberto Gil, entre dezenas de artistas, narrem a trajetória profissional de Tom Jobim ao lado de fotografias e documentos pessoais. O roteiro, de Nelson Pereira dos Santos e Miúcha, e a direção musical de Paulo Jobim deixam qualquer um emocionado na poltrona do cinema. 

“Como diz Chico Buarque em uma música, Tom Jobim é o maestro soberano. Sua obra é recheada de ritmos, formas e modos de ver a vida que impressionam e surpreendem. Por isso, tornou-se universal”, elogia Nelson. 

Foi Cacá Diegues quem apresentou Tom Jobim a Nelson, nos anos 60, quando a turma do cinema novo andava trocando figurinhas artísticas com o pessoal da bossa nova. Mais de duas décadas depois, em 1985, o diretor de Rio 40 graus (1955) e Vidas secas (1963) fez um programa de quatro episódios para a TV sobre a trajetória musical do maestro. O interesse de Nelson Pereira dos Santos pelo universo jobiniano só aumentou. Além do documentário atual, filmou e finalizou A luz do Tom. “Esse tem fala!”, brinca. “Entrevistei três mulheres importantes na vida dele: a irmã Helena, além de Tereza e Ana, com quem ele foi casado”, adianta o cineasta, que planeja lançar o filme em breve.   

Muitas histórias sobre a trajetória do compositor foram resgatadas durante a realização dos dois filmes, como lembra Dora Jobim. “Quando o Nelson começou o projeto, nós passamos a reunir a família para almoços e conversar sobre o vovô, contar casos, lembrar quais artistas já tinha gravado a música tal... Aí, com o meu envolvimento natural, acabei convidada para participar da produção”, explica Dora, que conviveu com o avô até os 18 anos.  

Versões nacionais e estrangeiras 

A decisão de incluir as canções em ordem cronológica e optar pela ausência de depoimentos também se deu de maneira natural. “Qualquer discurso ali parecia imposto. Mesmo a ideia inicial, de dividir as canções nos temas “Natureza”, “Mulheres” e “Rio”, foi por água abaixo logo no começo. Onde colocaríamos ‘Garota de Ipanema’?. Então, o espectador não tem que se preocupar com o que vê. É uma viagem sensorial”, observa Dora. 

Uma viagem que vem a partir de muitas vozes, além da de Tom. As gravações, obtidas através da pesquisa de Antonio Venâncio, contemplam versões francesas para, por exemplo, Eu sei que vou te amar (com Henri Salvador) e Água de beber (Pierre Barouh), americanas para Desafinado (Ella Fitzgerald) e Insensatez (Judy Garland) e até uma em italiano para Garota de Ipanema (Mina). “Tivemos que ir atrás de todos esses direitos autorais, uma loucura”, conta Nelson, que não revela o valor do filme. Mas de todas essas versões especiais, o xodó dos dois diretores é Samba de uma nota só, com Sylvia Telles. E, olha, que entre tantas belas interpretações, a escolha é difícil... 




http://www.cultura.rj.gov.br/artigos/viagem-sensorial