Nos passos (animados) de Mario Lago
17.01.2012 deixe aqui seu comentário
Um espaço onde a inovação e a tradição se encontram, regado por muito confete e serpentina. Em seu sétimo ano, o Concurso Nacional de Marchinhas, promovido pela Fundição Progresso, cumpre sua missão de atualizar a festa do Momo com muita diversão, além de valorizar o passado do carnaval carioca. Para isso, os compositores das marcinhas atuais foram beber na fonte do saudoso Mário Lago, o grande homenageado desta edição, autor de músicas como Ai, que saudades da Amélia e Aurora. Nesta quarta-feira, dia 18, o Parada da Lapa, na Fundição Progresso, abre suas portas para o grande baile de lançamento do CD com as 10 músicas finalistas de 2012. A grande final será dia 5 de fevereiro, com transmissão ao vivo pelo Fantástico.
Com lugar cativo no calendário do pré-carnaval do Rio, a disputa contou com mais de mil inscritos e rompeu as fronteiras do estado, com participantes até de Pernambuco. Entre os temas das canções participantes, vale destacar a explosão de bueiros na cidade, a internet, a velhice e, claro, a bebida. Também não faltaram os arlequins e as colombinas, comprovando que a folia no Rio se renova ao mesmo tempo em que mantém um pé no passado: “Precisamos atualizar a festa e, por isso, trabalhamos para um novo carnaval, como novas músicas que prolonguem essa brincadeira lúdica do folião de inventar músicas”, explica Vanessa Damasco, uma das organizadoras do concurso.
A homenagem a Mário Lago, que completaria 100 anos em 2011, pode ser conferida também no CD das finalistas, já que as canções Eu vou mandar fazer, Eu sou durão e Aurora estão no lançamento: “É uma forma de apresentar novas histórias e, ao mesmo tempo, valorizar o passado. A homenagem serve para resgatar e relembrar essa tradição”, explica Vanessa.
O júri no papel do público
Para avaliar as composições, o júri contou com a participação de nomes como o ator Zéu Britto e o compositor Edu Krieger, que já ganhou o concurso em outras duas edições e dá algumas dicas para os novos compositores: “A marchinha que pega o público de jeito precisa ter uma melodia bem elaborada, não precisa ser complexa, mas precisa ser absorvida instantaneamente pelo público. Muitas vezes, o compositor fica muito preocupado em passar a ideia e se esquece de cuidar do aspecto musical”.
Completam a banca de jurados o músico Pedro Aragão, a historiadora Rachel Valença e o empresário Thiago Cesário Alvim. Segundo Krieger, o papel do júri foi se colocar no lugar do público: “O júri escuta as marchinhas tentando não avaliá-las tecnicamente, mas sim como plateia, já que o júri é, na verdade, o primeiro público que tem acesso às músicas. Escutar como se fossemos leigos é importantejá que a maior parte da plateia não é especialista. O ponto de partida foi deixar a audição fluente, sem muita regra”.
Banda Fundição
Os compositores finalistas e cantores convidados vão participar do embate momesco acompanhados da Banda Fundição, comandada por Marcelo Bernardes, que vai capitanear 16 músicos. Junta desde o começo do concurso, a banda é “uma equipe superazeitada”, segundo a organizadora, e vai servir de base para que assuntos como as dores da terceira idade e até um temporal de cachaça ocupem o palco: “Os compositores fazem parte de uma galera que gosta de curtir, e para fazer uma marcinha tem que estar a fim de se divertir. É para isso existe o concurso”, avisa Vanessa.
Confira mais informações em Programação Cultural.
http://www.cultura.rj.gov.br/artigos/nos-passos-animados-de-mario-lago
