Secretaria de Cultura

A ideia é inventar moda


05.03.2012    deixe aqui seu comentário


Não à toa a grife OESTUDIO, criada em 2001, se autodenomina um coletivo. Quer a prova? Pelo segundo ano, a coleção que a marca leva para a passarela do Fashion Rio será o resultado de um trabalho conjunto entre 20 alunos do curso Costurando os Sentidos. Funciona assim: durante dois meses, eles vivem a experiência prática de montar uma coleção de moda, do conceito, passando pela estampa, até a trilha sonora do catwalk.


“Este curso não é expositivo, imaginado como forma de lazer intelectual. Nosso objetivo é a prática, é levar para uma plataforma de experiência real”, explica Fabrício DaCosta, um dos sócios da marca. E engana-se quem pensa que colocar a mão na massa é exclusividade de quem já é do ramo. Fabrício conta que não há prerrequisitos para preencher as vagas. “Na primeira edição, tivemos um professor de geografia, uma roteirista de cinema, mas todos com a mesma vontade de querer mudar de chão, de fazer algo diferente”.


A formação heterogênea de alunos é, inclusive, vista como ingrediente adicional para o processo de criação. “Os inúmeros tentáculos abrem caminhos”, reforça Fabrício, que se orgulha da forma diferente d’OESTUDIO fazer moda: “ A natureza desse coletivo está no mundo acadêmico. A gente preza por métodos, por educar pessoas, defende a economia criativa. Tem muita gente boa na área, mas é uma pena que exista essa criação hierárquica, de cima para baixo”, observa, referindo-se às grifes que carregam os nomes de grandes medalhões.


 Na prática


Até chegar aos 30 looks que serão apresentados, em maio, na semana da de moda carioca, o grupo passa por quatro módulos de investigação: envolvimento, planejamento, desenvolvimento e pré-produção. No primeiro passo, um pouco de teoria sobre a cultura da moda. Em seguida, eles partem para um brainstorm coletivo para arrematar os pilares do desenvolvimento da coleção. Depois, é hora de finalmente tirar os looks do papel, além de cuidar de ensaios, trilha, imprensa e demais ajustes.


O resultado final, das mais de 111 horas de dedicação, é assinado por todos. É natural que alguém se destaque mais em determinada etapa ou outra, mas ninguém fica de fora de nenhum dos processos. Fabrício defende que o dom específico de cada um deles acaba se tornado o talento do grupo inteiro. “Todos têm a oportunidade de se testarem e ninguém vira dono de nada”, enfatiza.


No desfile do ano passado, a coleção teve temática que muito tem a ver com a filosofia deste processo: Indiví-duo deu nome para o conjunto de roupas do Outono/Inverno 2012 (confira aqui o making of). O processo vem se aperfeiçoando e o sócio do coletivo adianta que este é só um protótipo, que deve ser aproveitado em outros contextos. “Nós somos parceiros do Estado, a intenção é fazer parcerias com Rio Criativo e com a Firjan para testá-lo em outros lugares. É um desejo repetir esse curso em UPPs, por exemplo. E, se continuar dando certo, por que não testar com teatro e cinema?”, torce Fabrício.


Para se inscrever ou para maiores informações, mande e-mail para sentido@oestudio.com.br




http://www.cultura.rj.gov.br/artigos/a-ideia-e-inventar-moda