Tatyana
Companhia Deborah Colker une literatura e dança em temporada popular no Teatro João Caetano
16.03.2012 a 06.05.2012 deixe aqui seu comentário
O universo de um clássico da literatura traduzido em movimento (Crédito: Cia. Deborah Colker / Divulgação)
A coreógrafa Deborah Colker foi buscar inspiração em um clássico da literatura universal para seu mais recente espetáculo. Tatyana leva aos palcos os personagens do romance em versos Evguêni Oniéguin, de Púchkin.
Aleksandr Púchkin (1799-1837) é considerado o “pai” da literatura russa moderna. Escrito ao longo de sete anos, entre 1823 e 1830, Evguêni Oniéguin é sua obra mais original e importante, que inspirou diversas criações em outras áreas, da célebre ópera de Tchaikovski (1879) ao filme com Ralph Fiennes (1999), passando pelo balé de John Cranko.
A trama é aparentemente simples: Oniéguin é um jovem abastado, cosmopolita e entediado, que abandona as diversões da cidade grande para se refugiar na propriedade rural herdada do tio. Lá, conhece o jovem poeta Lenski, noivo de Olga Lárina, a cuja irmã mais velha, a contemplativa Tatyana, é apresentado. Seguem-se a declaração de amor da moça, sua rejeição por Oniéguin, um duelo fatal entre os amigos e um doloroso reencontro do casal, quando o passar dos anos operou neles transformações profundas e decisivas.
Para expressar a força poética e a magia do romance, o próprio Púchkin é personificado no palco, interagindo com as ações, desejos, pensamentos e modificações dos quatro protagonistas de sua obra-prima. Trata-se, afinal, de um espetáculo de balé contemporâneo, interessado antes em traduzir sentimentos do que em traduzir uma narrativa.
O cenário é constituído de uma grande árvore metálica, em torno da qual e em cujos ramos Púchkin e seus personagens desenvolvem seus sonhos, angústias e quereres.
Os figurinos buscam caracterizar inequivocamente cada personagem com uma mistura de elementos “atuais” e “de época”. E a trilha sonora, embora seja marcada pela predominância de compositores russos, faz coexistirem autores de diversos períodos, do romantismo de Tchaikovski ao modernismo de Stravinski - através do filtro contemporâneo das colagens e remixagens de Berna Ceppas.
Desse cruzamento de linguagens, estéticas e referências, baseado em um estudo aprofundado da obra-prima de Púchkin, o que vemos é um espetáculo vibrante e atual, que enfrenta o desafio de exprimir sem palavras o sublime contido nos versos de um clássico da literatura.
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Área(s)
Dança, Literatura, TeatroEspaço(s)
Teatro João CaetanoCidade(s)
Rio de Janeiroserviço
Quinta a sábado: 21h Domingo: 18h
Local:
Teatro João CaetanoOutras informações:
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