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21/05/2013
Estão abertas as inscrições para a oficina que o francês Maurice Durozier, do Théatre du Soleil, ministrará no Armazém da Utopia (Cais do Porto), entre 18 e 22/05. Mais informações aqui.
16/05/2013
Estão abertas até o dia 20/05 as inscrições para a 4ª edição da Revista Machado de Assis, editada pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN). Mais informações, aqui.
15/05/2013
Estão abertas as inscrições para a edição 2013 da Semana do Audiovisual - SEDA, maior festival de cinema livre do país. Interessados devem inscrever-se aqui.
14/05/2013
'Tento organizar a obra de arte em camadas, como uma cebola'
Em entrevista ao Cultura.rj, o artista plástico Vik Muniz comenta a exposição Relicário, que ocupa a Casa de Cultura Laura Alvim a partir de 13 de outubro
Entrevistas 13.10.2010 1 comentário
Paulista de 49 anos, Vicente José de Oliveira Muniz, conhecido internacionalmente como Vik Muniz, inaugura nesta quarta (13/10), para convidados, e na quinta (14/10), para o público, a exposição Relicário, na Casa de Cultura Laura Alvim. A base da mostra são os trabalhos que o artista exibiu em Nova York, em 1989. Mas obras inéditas, produzidas recentemente, foram adicionadas ao conjunto, que acumula suas experiências como fotógrafo, desenhista, escultor e publicitário.
Relicário reflete um traço primordial de Vik: a mistura de várias técnicas. Algumas peças foram produzidas na Itália, em carrara e em murano, e outras vieram do lixão de Gramacho. Dentre os materiais usados, há o trabalho de um origamista famoso, uma bola de futebol murcha, um crânio com nariz de palhaço, muitas fotografias, uma caixa que respira, uma ampulheta gigante com tijolos em vez de areia, um sarcófago de tupperware, borboletas de papel. São muitas e interessantes surpresas nas salas da exposição, em um ambiente ao mesmo tempo sombrio e cativante.
Artista da diversidade, Vik Muniz emocionou o público do Festival do Rio 2010, durante as exibições do documentário Lixo Extraordinário. O filme, uma direção conjunta de Karen Harley, João Jardim e Lucy Walker, com produção de Fernando Meirelles, mostra o trabalho de Vik no maior aterro sanitário da América Latina, que fica em Duque de Caxias.
Nesta entrevista, o paulista, que vive há mais de duas décadas em Nova York, comenta a sua relação com o Rio de Janeiro – inclusive seu desejo de intensificá-la -, as premissas que norteiam a sua obra e os contornos de Relicário, que é, nas suas próprias palavras, “a imitação de um museu”.
Cultura.rj: Você ultrapassou as barreiras das artes plásticas. Jovens e adolescentes conhecem e admiram o seu trabalho, considerando- o um artista pop. Como você vê isso?
Vik Muniz: O meu trabalho tem uma proposta muito aberta. Tanto um erudito, alguém do mundo das artes plásticas ou da arte contemporânea, quanto uma criança ou uma pessoa que nunca entrou em um museu vão elaborar alguma mensagem [diante das obras], porque não trabalho com propostas fechadas. Eu tento organizar a informação da obra de arte em camadas, como uma cebola. Há coisas que são mais físicas, perceptuais, de um apelo mais imediato, que não dependem de nenhuma informação prévia do que é aquilo ou de como funciona. Trabalho muito com arquétipos, com ícones que são muito banais, coisas do dia a dia. Os objetos seguem essa mesma proposta. Possibilitam um estranhamento especial.
Cultura.rj: Essa exposição da Laura Alvim é bem diferente do seu último trabalho.
V.K.: Sim, mas em termos materiais, de tridimensionalidade das coisas, proporções. Em termos de conceito, ela traz mais informações. Essa exposição contempla os primeiros trabalhos que eu fiz. A parte mais conceitual dos objetos está em muita sintonia com as minhas fotografias. Você vê e acha que não é bem aquilo, que é uma outra coisa. As imagens e os objetos são um pouco esquisitos. Tocam na ideia do display, da apresentação. Por que as pessoas vão aos museus? O que elas procuram? Eu sei o que eu procuro: eu procuro esse estranhamento. Poder fazer um museu particular de origens e pontos diferentes: é um pouco essa a minha proposta.
Cultura.rj: A sua exposição de retrospectiva no MAM, em 2009, foi uma das mais visitadas nos últimos tempos, atraindo um público de meio milhão de pessoas. E ainda nem tinha a divulgação do seu trabalho na abertura da novela das 8 [o videoclipe que abre Passione, novela da TV Globo, foi feito com imagens de trabalhos de Vik].
V.K.: A novela das 8 foi para mim uma experiência muito legal, pois pude atingir um público que nunca conseguiria por meio de recursos próprios. Já a exposição no MAM foi o princípio da minha relação com a cidade. O Rio de Janeiro é um polo, abraça grande parte dos intelectuais do país e tem muito público. Depois dessa exposição tão bem visitada, fiquei com vontade de experimentar e interagir mais com esse público aqui do Rio. Agora estou tendo uma espécie de crise pós-parto: preciso fazer alguma coisa para continuar essa relação com a cidade e com o seu público.
Cultura.rj: E como é expor na Laura Alvim, à beira da praia de Ipanema?
V.K.: É do lado da minha casa [o artista mantém um apartamento no Rio], eu frequentemente vou à galeria e tomo um café. É engraçado, parece que você está fazendo uma exposição na sua casa. Estou convidando todos os meus amigos. Eu acho legal o nome Casa [de Cultura]. Essa exposição é muito diferente da retrospectiva do Museu de Arte Moderna. Esta era uma exposição mais direcionada às imagens. Sua proposta envolvia as imagens dentro de um contexto, trabalhava com a ideia de microcosmos. Por isso, tinha uma contrapartida arquitetural muito grande. Já na Laura Alvim, a contrapartida é cenográfica: os objetos expostos são aqueles que você já espera encontrar no ambiente de uma casa. Por isso eu tratei o lugar mais como um set de palco do que como um museu propriamente dito. É um museu de um museu, na verdade, uma imitação de um museu e das coisas que existem dentro dele. Coisas essas que nos atraem.
Saiba mais em programação cultural.
Colaboração de Teresa Souza
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