

Leitura dramatizada da peça A Inquisição dos Falos, de Cesar Moura, no Teatro Laura Alvim, nesta terça-feira, às 20 horas. O preço é simbólico: R$ 2.
22/05/2012
Morreu, no domingo, o músico Robin Gibb, um dos três irmãos que formaram o grupo Bee Gees. O britânico, de 62 anos, estava em tratamento contra um câncer de cólon e fígado, segundo sua família.
21/05/2012
A Casa da Leitura promove a palestra O Cinema Literário e Musical de Alberto Cavalcanti nesta terça, dia 22, às 18h30. A discussão ilustrada com filmes do diretor será ministrada por Sérgio Caldieri.
21/05/2012
Contemplado pelo edital de novos autores, Gui Mallon lança seu novo livro, 'A caravela', nesta quinta-feira, 24/5, às 17h, na Biblioteca Pública de Niterói
21/05/2012
Talento para a versatilidade
George Clooney fala sobre sua nova indicação ao Oscar e dos planos de investir mais na carreira de diretor
Entrevistas 01.02.2012 deixe aqui seu comentário
Intérprete de alguns dos personagens mais astutos e sofisticados do cinema da última década, George Clooney surge como um marido desleixado e pai sem noção na comédia dramática Os descendentes, em cartaz nos cinema brasileiros. Sob a direção sensível de Alexander Payne, autor do premiado Sideways – Entre umas e outras (2004), o galã americano de 51 anos reitera aqui sua versatilidade, em papel que lhe rendeu sua terceira indicação ao Oscar como protagonista masculino – venceu uma quarta, na categoria coadjuvante, por sua performance em Syriana – A indústria do petróleo (2005). O filme concorre a outras quatro estatuetas, inclusive as de direção e filme.
Em Os descendentes, Clooney veste as bermudas e camisas estampadas de Matt King, rico herdeiro da antiga monarquia do Havai, que sempre foi mão fechada no afeto dirigido à mulher (Patricia Hastie) e às duas filhas (Shailene Woodley e Amara Miller). A vida tranquila de Matt entra em parafuso quando a companheira entra em coma depois de sofrer um acidente de barco. De um momento para o outro, ele precisa reconquistar o carinho das filhas, resolver a venda de um importante patrimônio herdado de seus antepassados e lidar com a perspectiva da infidelidade da esposa. “É complicado entender como interpretar um personagem tão complexo de forma correta”, disse o ator americano durante a coletiva que se seguiu à première do filme no Festival de Londres.
Viu como uma grata surpresa interpretar um pai de família comum, depois de tantos políticos, executivos e super-heróis?
Na verdade, já interpretei pais e maridos em diversos filmes, antes, como Siryana e Um dia especial. Mas em Os descendentes foi um pouco diferente, meu personagem é muito mais emocional, muito ligado à família. O filme apresenta uma situação complicada, começa com a morte cerebral da mulher do protagonista. Depois, vira uma espécie de crise de maturidade de um cinquentão. É complicado entender como interpretar um personagem como esse da forma correta.
A história trabalha com diversos níveis emocionais. Sentiu-se afetado por ela em algum momento?
Os sets administrados por Alexander (Payne) costumam ser divertidos. Há pessoas que gostam de trabalhar no meio do caos, porque funcionam melhor nesses ambientes, mas que não são, necessariamente, o lugar mais divertido para se estar. Gosto de trabalhar em sets que não são caóticos. É onde me sinto mais criativo e bem-recebido, e o Alexander consegue construir o mais acolhedor local de trabalho possível. Mesmo quando havia cenas emocionalmente difíceis de fazer, como despedir-se da mulher moribunda, quando tudo terminava, a gente se via num lugar amistoso e agradável.
O que o senhor busca em um projeto de um filme? O que o fez aceitar o papel em Os descendentes, por exemplo?
Para início de conversa, depois de uma série de escolhas erradas no início da minha carreira no cinema, aprendi que eu deveria ler os roteiros que me eram oferecidos antes de aceitar qualquer proposta. Você pode fazer um filme ruim a partir de um bom roteiro, mas não conseguirá fazer um bom filme com um roteiro ruim. Então, tudo tem que começar com uma boa história. E o Alexander era alguém com quem eu gostaria de trabalhar já há algum tempo; foi uma questão de oportunidade. Um dia, nos encontramos no Festival de Toronto e ele disse que me mandaria um roteiro para avaliar e eu meio que decidi que faria o filme, não importando do que se tratasse.
Desde as primeiras sessões públicas de Os descendentes, nos festivais de Telluride e Toronto, em setembro do ano passado, fala-se de sua possível indicação para o Oscar deste ano. Como se sente a respeito?
Já passei por situações parecidas, antes, e, com o tempo, aprendi que, quando alguém faz um elogio desse tipo, está se cumprimentando o trabalho, não importa o momento em que o elogio foi feito. É muito bom ouvir elogios, e eles são resultado da contribuição de outras pessoas também. Mas a verdade é que, passada a temporada de prêmios, não lembro de quem ganhou ou perdeu. E olha que eu já ganhei um ou dois Oscars. O que fica na memória são filmes, e eu realmente adoro filmes. Lembro que, em 1976, estavam concorrendo Taxi driver, Todos os homens do presidente, Rede de intrigas, e Rocky – Um lutador. Sei que Rocky ganhou, mas adoro os outros filmes também, e os revejo constantemente. Então, não me preocupo com especulações sobre quem vai ganhar o Oscar, porque curto estar em filmes que duram mais do que a primeira semana em cartaz. Meu objetivo na vida não é ser o cara mais rico do cemitério.
Você vem de uma família de artistas. Qual o melhor conselho que você já recebeu deles?
Minha família tem muitas histórias de sucesso e muitos exemplos de prudência em relação à fama, e como isso tem pouco a ver com você. Minha tia (Rosemary Clooney) foi uma grande cantora nos anos 50 mas, já na década seguinte, caiu no esquecimento, sem que deixasse de ser uma grande cantora. Anos atrás, ela voltou às paradas e aos palcos. Aprendi, mais uma vez, que o sucesso tem a ver menos com o seu talento e mais com outros elementos, incluindo sorte, e a chance de participar de uma seriado sobre um hospital transmitido às 10 horas da noite. Sem isso, você não terá a carreira que eu tive.
Dirigir mudou sua visão sobre o trabalho do ator?
Já faz algum tempo que tenho me envolvido na direção, produção e criação de filmes, concomitantemente ao trabalho de ator. Sempre penso em termos do que um diretor precisa e não apenas sobre o que é necessário para uma determinada cena. Penso no filme, como um todo.
O senhor completou 50 anos em 2011. Algo mudou em sua relação com o trabalho? O sucesso lhe parece difícil às vezes?
Espero dirigir mais porque, como todo mundo sabe, a medida em que se envelhece, há menos e menos papéis para um ator com mais de 50 anos. Ainda quero fazer parte desse negócio por um bom tempo. Lembro da época em que era jovem no Kentucky, minha família vivia dura e minha mãe fazia minhas roupas. Eu estava em algum emprego bobo e lembro, na época, de ouvir um famoso ator reclamando de como era dura a vida de artista, num programa de TV. Pensei: “Que idiota! O cara está vivendo um sonho e deveria desfrutar daquilo. Há coisa na profissão que não são divertidas, e todos sabemos disso, mas não vou reclamar disso com ninguém. Entendo que ganhei o passeio mais fácil e tenho que aproveitá-lo.
Colaboração de Carlos Helí de Almeida
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