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"O rato come o queijo, o gato bebe leite e eu... Sou palhaço"

Em seu segundo filme como diretor, Selton Mello vive Benjamim, personagem que questiona a sua verdadeira vocação

Entrevistas 08.11.2011 2 comentários

Selton Mello escreveu, atuou e dirigiu 'O palhaço': sucesso nos cinemas

Selton Mello escreveu, atuou e dirigiu 'O palhaço': sucesso nos cinemas  (Crédito: Divulgação)

O Circo Esperança atravessa o interior do Brasil, apresenta-se de cidadezinha a cidadezinha, comandado por aqueles que decidiram não fixar residência e levar a vida no jeito mambembe de ser. Um dia, Benjamim, ou palhaço Pangaré (Selton Mello), descobre que está cansado dessa rotina. Ele quer descobrir sua identidade, tirar CPF e comprar um ventilador. “Faço o povo rir, mas quem vai me faz rir”? questiona o melancólico personagem, carregado de incertezas, no filme O Palhaço, que chegou aos cinemas no último dia 28, e vem arrancando aplausos nas salas de todo o país (já atingiu a marca de um milhão de espectadores).  O tema cria identificação. Afinal, que conte a primeira piada quem nunca se perguntou qual era seu lugar no mundo.  

Selton Mello, que, pela primeira vez, acumula os trabalhos de ator e diretor, divide a cena com Paulo José, o velho palhaço Puro-Sangue, dono do circo.  A partir das referências do ator-diretor, que vão de Fellini ao quarteto de Os Trapalhões, passando pela interpretação de Peter Sellers, em Muito Além do Jardim, a ideia é fazer do Circo Esperança uma clara metáfora da vida: o sujeito nasce para o que é, não importa pelo que passe no trajeto. Ou, nas palavras que o também roteirista Selton Mello frisa no filme,  “o rato come o queijo, o gato bebe leite e eu... Sou palhaço”. 

Cultura.rj: Você afirmou que a ideia de 'O Palhaço' nasceu a partir de uma crise que você estava tendo na sua profissão. Esse momento passou? Você não acha que essa angústia faz parte da natureza do artista? 

Selton Mello: O motivo mais forte e determinante para fazer O Palhaço foi a vontade de falar sobre identidade. Queria discutir o lugar no mundo de um indivíduo a partir de suas escolhas, de seus dilemas. A insatisfação é um dos maiores combustíveis de todo artista. As pessoas se identificam tanto com o palhaço do filme, porque em algum momento de suas vidas já pensaram em jogar tudo para o alto e tentar de novo. Mas cada um tem seu talento natural e não pode ser ignorado. É aí que o filme emociona as pessoas. Passamos de 500 mil espectadores com um filme sensível, que dá espaço para a imaginação do espectador. Sentia falta de um filme assim no cenário brasileiro.

Cultura.rj:  No seu primeiro trabalho na direção,'Feliz Natal' (2008), você não atuou. Em 'O Palhaço', decidiu atuar, dirigiu e fez o roteiro. Como foi a experiência de acumular as três funções?

Selton: O acúmulo de funções é algo natural para mim. É algo mais curioso para quem esta de fora do que para mim. Eu me sinto pleno quando estou criando, é um momento de grande felicidade na minha vida, onde posso revelar, através de um filme, todos os devaneios, meus pressentimentos, minhas recordações mais profundas. Estava mais ligado na direção do que na atuação. Sabia bem como queria que o Benjamim se comportasse, então eu colocava a roupa e fazia, sem grande esforço.

Cultura.rj:  Como foi realizado o processo de pesquisa para o filme?  
Selton: Ficamos um ano dedicados à pesquisa, para a qual contamos com o auxílio luxuoso de Alessandra Brantes, ex-artista de circo, pesquisadora, que nos apresentou amplo material. Através dela, conhecemos o palhaço Biribinha, de Maceió, que se apresenta com os filhos em praças públicas. Em um segundo momento, contei com a ajuda do palhaço Kuxixo, do circo do Beto Carrero, com quem aprendi gags físicas e a linguagem do picadeiro. Eu queria fazer um filme verdadeiro não só para o público em geral, mas também para as pessoas ligadas ao circo. 

Cultura.rj:  Foi você quem criou a frase 'o rato come o queijo, o gato bebe leite e eu sou palhaço', que, de certa maneira, resume o filme? 

Selton: Sim, foi uma vontade de sintetizar tudo o que se passava com aquele pai e aquele filho. Em poucas palavras, fazer conter um universo inteiro. O roteiro foi escrito com Marcelo Vindicatto e, juntos, escrevemos uma narrativa que muitas vezes não se verbaliza e que, ao mesmo tempo, todo mundo consegue entender o que se passa. Falando pouco e dizendo muito, esse era nosso desejo e nosso desafio na escrita.

Cultura.rj:  E as suas influências cinematográficas? Em quais momentos elas aparecem (se aparecem) nos teus trabalhos, especialmente em 'O Palhaço'? Ou estão diluídas na sua obra? 
Selton: Assisti a muitos filmes no período de pesquisa. De Trapalhões a Fellini. Muito além do jardim foi um filme que me inspirou muito, pela interpretação de Peter Sellers. Eu me inspirei também na literatura de Christian Andersen e na obra do pintor Chagall.

Cultura.rj:  Por que a escolha de Paulo José para viver o pai de Benjamin? Como é a sua relação com o ator? O que aprendeu com ele? 

Selton: O nome do Paulo Jose foi sugerido pela produtora Vania Catani. E vimos que tinha tudo a ver o ator de Macunaíma e da dupla Shazan e Xerife ser o velho palhaço do Circo Esperança. A grandeza de Paulo vem de sua simplicidade como ator, da presença nos menores gestos, na intensidade dos silêncios. Ele é um ator que atua mesmo nas lacunas. Um mestre da contenção.

Cultura.rj:  Benjamim é um palhaço cercado de pessoas e situações engraçadas, mas que não consegue rir, devido as suas angústias. O lirismo do palhaço não está justamente ligado a uma tristeza permanente? 

Selton: Essa é uma historia clássica que sempre ouvimos, a figura do palhaço triste atravessa gerações. No caso do filme, meu personagem vai descobrindo aos poucos a grandeza do que faz. Levar o riso ao espectador é algo nobre. O limite do riso e da melancolia é muito tênue e o filme consegue contar uma história que aborda tudo isso de uma forma luminosa, cheia de encanto.


Colaboração de Vanessa Didolich Cristani



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