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Até quarta-feira, dia 16, estão abertas as inscrições para a oficina literária da Flip 2012. Nesta edição, o tema será Quadrinhos e Ilustração e as aulas serão dadas em Paraty por Laerte e Angeli.

15/05/2012


Nesta terça-feira, dia 15, às 20h30, Aderbal Freire-Filho e Eleonora Fabião estarão no Teatro Glaucio Gill, participando do Fórum de Núcleos de Trabalho Continuado. A entrada é gratuita.

14/05/2012


No dia 16/5, a psicóloga e biblioterapeuta Cristiana Seixas ministra uma palestra sobre as relações do homem com o meio na Biblioteca Pública de Niterói. A entrada é franca.

14/05/2012


O Festival Música Pra Todo Mundo, que apresenta músicos independentes do Brasil, apresenta os 30 finalistas que agora passam para a segunda fase do concurso. Vote.

10/05/2012


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Aníbal Machado, um escritor que mereceu o Rio que viveu

Visconde Pirajá 487, As Domingueiras do Aníbal reconstitui reuniões memoráveis na casa do escritor

Artigos 26.09.2011 deixe aqui seu comentário

Naqueles tempos em que Ipanema era uma quase província, a praia uma imensa faixa de areia, iluminada à noite por postes americanos, os prédios baixinhos, o trânsito de poucos carros e toda a gente andava sem medos, a casa de número 487 na Visconde Pirajá, com suas janelas verdes e suas portas abertas, era ponto de encontro marcado dos mais diversos artistas.


Seu proprietário era o escritor Aníbal Machado, seis filhas, 13 livros e centenas de amigos, um homem de rara humanidade e autor das mais belas e poéticas páginas da literatura nacional. É lembrado até hoje por sua capacidade criativa e de agregar e manter à sua volta todos os talentos possíveis que marcaram e surgiram naquela época. Foi essa Ipanema mágica que acolhia as famosas “domingueiras do Aníbal”, em que todos eram bem vindos e discutia-se Freud e Kafka com a mesma energia com que se dançava foxtrote  e boogie woogie.


É esse sobrado e suas reuniões memoráveis que foram reconstituídos no livro Visconde Pirajá 487, As Domingueiras do Aníbal, (Nova Fronteira) da historiadora Celina Whately, com previsão de lançamento no fim de setembro.


Leia também: Celina Whately, uma escritora que teve a trajetória marcada por Aníbal Machado


A vida, a obra e a casa


Foi na mineira Sabará que Aníbal nasceu, dia 9 de dezembro de 1894. Cidade banhada pelo Rio das Velhas, de águas que acompanharam as memórias do escritor, e de onde ele se mudou para Belo Horizonte, aos 11 anos.  Veio concluir o curso no Rio de Janeiro, e sobre essa fase ele assim registrou:  “O mar com que eu sonhava tanto, que me enchia a imaginação, estava ali perto, ao alcance da mão. Saber que, abrindo a janela, iria encontrar a sua imagem poderosa, a aragem salina, oh! só isto valia tudo para o filho da montanha”. 


Minas e seus acidentes geográficos quase pessoais ajudaram a compor as alegorias de sua obra. Mas, antes de chegar lá, começou a faculdade de Direito, concluída em 1917 em Belo Horizonte. Casou-se com Aracy Jacob Machado, de Ouro Preto, e aceitou o cargo de promotor em Aiuruoca, um contraforte da Mantiqueira. Ali nasceu a primeira de suas seis meninas.  A carreira jurídica não combinava com Aníbal. Foi natural, portanto, que aceitasse o cargo de professor de Literatura no Colégio Pedro II, no Rio. Logo ele juntou-se aos modernistas e publicou seu primeiro conto, O Rato, o Guarda Chuva e o Transatlântico  (1925).

Na mesma década tornou-se amigo do pintor Oswaldo Goeldi, numa sucessão de amizades que já incluía Pedro Nava, Milton Campos e Carlos Drummond de Andrade. Viriam muitos outros, que haveriam de atestar o quanto Aníbal foi querido ao longo da vida. Nesse mesmo ano começou a criação de João Ternura, personagem fantástico e dos mais importantes da literatura brasileira. João levou 40 anos até ser concluído, o que só aconteceu depois de sua morte, quando Celina Whately conseguiu decifrar os manuscritos de Aníbal, que teria sentido a mesma felicidade de Geppetto ao descobrir que seu Pinocchio adquiriu vida própria pelas suas mãos, O personagem foi uma consagração absoluta.


Crescia a roda de amigos do escritor e da casa. Uma lista interminável:  Paulo Mendes Campos, Ivan Junqueira, Cony, Leandro Konder, Juscelino, Barbosa Lima Sobrinho, Eneida, Otto Maria Carpeaux, Jorge Amado, José Olympio, o então estudante Ivo Pitanguy, a bailarina Tatiana Leskova.Ao viajar para a Europa, encontrou-se com Picasso e André Gide.  E a lista não fechava nunca. Grande parte dessa vida foi passada no 487, onde Aníbal morou de 1937 a 1964, quando faleceu. Frente à casa, a Sorveteria Moraes. Ao lado da casa, o bar Zepelin. Nada mais Ipenema do que essas referências. Perto dali, em Copacabana, a casa de Eugenia e Álvaro Moreyra, que também acolhia escritores e jornalistas. Aníbal Machado mereceu mesmo o Rio em que viveu.


 Obra de Aníbal Machado:


O cinema e sua influência na vida brasileira


Vida Feliz


ABC das catástrofes


Goeldi


Poemas em Prosa


Historias Reunidas


Cadernos de João


A Morte da Porta Estandarte


Balões Cativos


Viagem aos Seios de Duília


O Piano


Tati, a Garota


João Ternura


 


Lilian Newlands é escritora e jornalista


Colaboração de Lilian Newlands



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