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Notas

Estão abertas as inscrições para a oficina que o francês Maurice Durozier, do Théatre du Soleil, ministrará no Armazém da Utopia (Cais do Porto), entre 18 e 22/05. Mais informações aqui.

16/05/2013


Estão abertas até o dia 20/05 as inscrições para a 4ª edição da Revista Machado de Assis, editada pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN). Mais informações, aqui.

15/05/2013


Estão abertas as inscrições para a edição 2013 da Semana do Audiovisual - SEDA, maior festival de cinema livre do país. Interessados devem inscrever-se aqui.

14/05/2013


O Prêmio Rio Sociocultural divulgou os finalistas de sua quarta edição. Projetos de Cabo Frio, Maricá, Duas Barras e Casimiro de Abreu constam pela 1a vez da lista. Veja todos os finalistas aqui.

10/05/2013


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A arte decorativa de um mestre

Em cartaz no Museu Nacional de Belas Artes, obra de Eliseu Visconti também está presente em outros prédios públicos do Rio

Artigos 10.05.2012 deixe aqui seu comentário

As obras de Eliseu Visconti no Theatro Municipal  (Crédito: You Tube)

As sucessivas premiações de Eliseu Visconti na cadeira de ornatos, ao iniciar sua formação no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, prenunciavam o pendor do artista para as artes decorativas. Em 1905, Visconti responderia por carta ao convite do prefeito Pereira Passos para decorar o Theatro Municipal do Rio de Janeiro: “Sempre embalei um sonho: o de um dia realizar um conjunto de arte em um edifício importante. Terei chegado a tempo? V. Sa. me diz que sim”. Apesar de executadas em diferentes épocas, as decorações do Municipal harmonizam-se na temática e no estilo, formando um conjunto nos diversos espaços que ocupam.     

O tema para o pano de boca, “A influência das Artes na Civilização”, foi desenvolvido por Visconti em termos alegóricos, sendo um dos mais monumentais trabalhos do gênero. O pintor utilizaria figuras femininas para representar a arte, a ciência, a verdade, a música, a dança e a poesia, em composição de notável equilíbrio, complementada por retratos de grandes vultos da cultura nacional e universal. Ao expor seus trabalhos na capital francesa, o artista foi censurado por ter colocado negros entre os figurantes do povo retratados no pano de boca, o que, segundo os críticos, nos diminuiria aos olhos dos estrangeiros que viessem a freqüentar o Theatro. Também a inclusão da figura de D. Pedro II foi criticada, por supostamente homenagear o regime monárquico. Às críticas, Visconti responderia em carta: “Que tenho eu com as intrigas políticas? A minha bandeira é a da arte e só ela respeito!”. O pano de boca jamais seria alterado. 

Mas foi no plafond (teto) sobre a plateia e no friso sobre o proscênio, e posteriormente nos painéis do foyer (salão de espera), que Visconti sentiu-se mais livre para adotar a técnica divisionista que admirara nas decorações realizadas por Henri Martin para o Capitólio de Toulouse. A execução da pintura do plafond sobre a plateia levou o artista a exibir claras influências da técnica pontilhista, atenuada por linhas de contorno sinuosas e elegantes. A ornamentação representa a passagem das horas, com as figuras em movimento circular dispostas de tal forma que, de qualquer ponto da sala, veem-se as dançarinas em alegre movimento coreográfico. O próprio Visconti definiu o plafond como um poema de alegria e luz. 

O friso colocado no alto da boca de cena completa a ornamentação da sala de espetáculos do Theatro, toda ela executada em Paris entre 1905 e 1907. Trinta anos depois, com o alargamento da boca de cena, o friso primitivo seria substituído por Visconti, sem qualquer quebra na harmonia do conjunto. As cores do friso atual obedecem a uma gradação suave em que nada destoa. Sobre esses tons em perfeita fusão transparecem as ondas sonoras e as musas, personificadas em belos e sensuais corpos femininos.  


Entre 1913 e 1915, novamente em Paris, Visconti executa a decoração interna do foyer do Theatro, composta por três grandes painéis. Vários estilos e procedimentos artísticos compõem uma sinfonia de cores e formas. É marcante a evolução do artista, sendo a decoração do foyer considerada sua obra-prima. Os motivos dos painéis se complementam, evoluindo em irresistível e melodiosa atmosfera. A fluidez da luz é completa e a impressão do conjunto é de uma grande doçura.

A participação de Visconti como decorador se estenderia a outros prédios públicos, como parte do processo de modernização da cidade do Rio de Janeiro. Na Biblioteca Nacional estão dois painéis de características impressionistas, nos quais Visconti traduz em termos pictóricos a idéia de que o progresso só existe acompanhado de responsabilidade social, como resultado da manifestação da solidariedade humana no desenvolvimento das cidades.

No Palácio Pedro Ernesto – Câmara Municipal –, Visconti ornamentou a escadaria que domina o vestíbulo com o grande tríptico Deveres da Cidade. Na parte central da obra, a figura feminina representa a cidade, e a masculina, a legislação. Os painéis laterais homenageiam Oswaldo Cruz e Pereira Passos, identificados com o saneamento e a urbanização da cidade, personificando a transição para a modernidade da então Capital Federal. 

Para o painel que emoldura a presidência do plenário do Palácio Tiradentes – Assembléia Legislativa –, Visconti escolhera inicialmente como tema a posse de Deodoro da Fonseca na Presidência da República. No entanto, o estudo seria recusado pela comissão constituída, que exigiu tema em que não figurassem mulheres. O artista apresentou novo trabalho, representando a promulgação da primeira Constituição republicana, em 1891, assinada apenas por homens. Este passaria a ser uma exceção entre os trabalhos decorativos de Visconti, que, à frente de seu tempo, apresentava sempre a mulher como protagonista. 

Leia mais sobre a exposição  Eliseu Visconti – A modernidade antecipada aqui


Colaboração de Tobias Stourdzé Visconti



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