Apresentação
O Museu Antonio Parreiras completou 70 anos de existência em 2012 e passa por um momento singular na sua história. Um projeto de recuperação e reforma de seus prédios históricos, fruto de uma parceria firmada entre a Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, através da Superintendência de Museus, e o Instituto Brasileiro de Museus/MinC, resultará na restauração e no aprimoramento das três edificações do museu-casa, localizadas na cidade de Niterói. Esta será a primeira grande restauração por que passa o complexo arquitetônico, tombado pelo IPHAN em 1967, desde sua construção, em 1894.
As intervenções propostas estão alinhadas a um Programa de Requalificação Institucional, previsto no Plano Museológico do MAP, em implantação pela Direção do museu em consonância com as diretrizes da Superintendência de Museus da Secretaria de Estado de Cultura. A ideia é incorporar a vocação do museu como centro irradiador de arte e cultura para Niterói e o Estado do Rio de Janeiro, além de consolidar sua função de preservar e divulgar a memória e a obra do artista brasileiro Antonio Parreiras, bem como de outros artistas que fazem parte do acervo do museu.
A reabertura do MAP ao público está prevista para 2014. Os visitantes terão acesso a um museu reformado em sua estrutura física, modernizado em sua gestão e em seus preceitos curatoriais, apresentando-se de forma mais dinâmica e diversificada.
HISTÓRICO
O Museu Antonio Parreiras, inaugurado em 21 de janeiro de 1942, foi o primeiro museu de arte do Estado do Rio de Janeiro, além de ter sido o primeiro museu brasileiro dedicado à memória de um artista. Criado com o objetivo de divulgar e preservar a arte e a história do artista, professor e escritor Antonio Parreiras, o museu também se configura como centro de memória da arte brasileira de fim do século XIX e início do século XX, no importante período de transição entre a monarquia e a república.
O prédio foi elaborado pelo importante arquiteto paulista Ramos de Azevedo, em terreno localizado no atual bairro do Ingá, em Niterói, parte da chácara de Albana Lallament. O museu ocupa três prédios numa área de 5.000 m², cercado por jardim em estilo romântico planejado pelo próprio Antonio Parreiras. Este complexo arquitetônico, tombado pelo IPHAN em 1967, é hoje um espaço cultural que abriga as obras, documentos, livros e objetos pertencentes ao mestre da pintura paisagista brasileira, além de duas outras coleções: de arte brasileira dos séculos XIX e início do século XX e de arte estrangeira dos séculos XVI, XVII, XIX e XX.
O espaço pertence à FUNARJ / Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro, vinculada à Secretaria do Estado de Cultura e integra a Superintendência de Museus.
ACERVO
O núcleo inicial que formou o acervo do museu foi adquirido pelo Estado através da família do artista, após seu falecimento. O acervo conta com um significativo montante de obras próprias de Parreiras, além de pinturas e desenhos de outros artistas contemporâneos ao pintor, configurando um significativo panorama da arte acadêmica do período. Além do Museu Antonio Parreiras, em Niterói, algumas obras de Parreiras podem ser encontradas em diversos acervos públicos e particulares em diferentes regiões brasileiras.
A coleção do MAP compreende conjuntos ligados à expressão paisagística, à representação de fatos históricos e de figuras humanas, em especial nus femininos. As pinturas e os desenhos, datados de 1883 a 1937, possibilitam uma importante ilustração da poética de Antonio Parreiras.
Além das obras de autoria de Parreiras, uma diversidade de peças de outros artistas brasileiros e mesmo estrangeiros enriquecem o acervo do museu. A coleção foi acrescida periodicamente com obras que pertenceram ao antigo acervo do Departamento de Difusão Cultural, premiadas nos Salões Fluminenses de Belas Artes e incorporadas pelo museu em 1951. Neste mesmo ano, somaram-se ao acervo 39 obras significativas de arte estrangeira, advindas da aquisição da coleção do jornalista e historiador campista Alberto Lamego.
MISSÃO
Preservar, pesquisar e promover a obra de Antonio Parreiras, bem como as dos principais artistas integrantes do acervo do museu, ampliando sua acessibilidade universal aos diversos segmentos da sociedade. Dinamizar a comunicação de seus conteúdos, a produção de conhecimento, a experimentação estética e o entretenimento cultural, como forma de desenvolvimento humano, de qualidade de vida e de fortalecimento do exercício da cidadania.
VISÃO
O Museu Antonio Parreiras pretende se tornar um museu alinhado à contemporaneidade enquanto referência na preservação e divulgação de seu acervo, na inovação em exibição da arte, no incentivo e promoção da pesquisa, além de se configurar como um espaço cultural múltiplo e atrativo para públicos diversos.
CONJUNTO ARQUITETÔNICO
O Museu ocupa três prédios com histórias diferentes:
Palácio da Rua Tiradentes
Construído em 1895, e tombado em 27 de Abril de 1967 pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional, o prédio foi projetado pelo renomado engenheiro paulista Ramos de Azevedo. Com os recursos obtidos na primeira exposição ocorrida em São Paulo em 1893, Parreiras que já havia comprado o terreno, custeou o projeto para construção de sua residência no atual bairro do Ingá, em Niterói/RJ e edificou o “Palácio da Rua Tiradentes”, como ficou conhecido este prédio de estilo eclético, onde Antonio Parreiras viveu com sua família até a sua morte, em 1937.
Ateliê
O Ateliê foi construído em 1912, como local de trabalho do pintor, cujo portal de entrada, em relevo traz o lema do mestre: “Trabalhar é Viver”. Não se tem notícias do autor do projeto, sabe-se que parte do prédio também era utilizado como residência do seu filho Dakir, também pintor, que lá viveu com a família até a morte de seu pai. O prédio sofreu reformas e passou a expor as obras de grandes dimensões de Antonio Parreiras.
Vila Olga
Vila Olga, a antiga residência de Olga, filha de Parreiras que lá também viveu com sua família, depois da inauguração do MAP foi transformada em Reserva Técnica em 1994.
COLEÇÃO ANTONIO PARREIRAS
Adquiridas através da família do pintor após seu falecimento, as obras que formaram o núcleo inicial desta coleção são conjuntos ligados à interpretação paisagística, à representação de fatos históricos, e às figuras humanas — em particular nus femininos. A coleção possui pinturas e desenhos datados de 1883 a 1937.
COLEÇÃO ARTE BRASILEIRA
SÉCULO XIX
Originária da antiga coleção particular de Antonio Parreiras e das obras adquiridas da coleção do Departamento de Propaganda e Difusão Cultural, órgão federal criado no Governo Getúlio Vargas, mais tarde denominado Departamento de Imprensa e Propaganda, este acervo apresenta pinturas e desenhos de artistas consagrados como: Victor Meirelles, Benedito Calixto de Jesus, Antonio Rafael Pinto Bandeira, Presciliano Silva, Henrique Bernardelli, Eliseu Visconti, Arthur Timóteo da Costa, entre outros.
SÉCULO XX
Bastante completa no que se refere aos artistas exponenciais do período anterior à década de 1930, a coleção reúne ainda obras que participaram dos Salões Fluminenses de Belas Artes a partir de 1942, além de um número considerável de obras das décadas de 1970 e 1980, como: Georgina de Albuquerque, Quirino Campofiorito, Oswaldo Teixeira, João José Rescala, Aluízio Vale, Manfredo de Souza Netto, Paiva Brasil, Israel Pedrosa, Mario Navarro da Costa, Henrique Campos Cavalleiro, entre outros.
COLEÇÃO ARTE ESTRANGEIRA E COLEÇÃO ALBERTO LAMEGO
O museu reúne em seu acervo obras valiosas da arte europeia. Algumas se originaram da própria coleção do Antonio Parreiras, porém a maioria advém da coleção Alberto Lamego Lamego (1870-1951), adquirida pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro em 1950. Os conjuntos mais representativos são de pinturas e desenhos das escolas holandesa, flamenga, francesa e italiana dos séculos XVII ao XIX, de autores como Pieter e Jan Brueghel, Paul Brill, David Teniers, Adriaen Brower, Jan Steen, Roclaudt Savery, Nicolas Poussin e François Clouet. Além de obras de autores portugueses e franceses das primeiras décadas do século XX, como Antonio Carvalho da Silva Porto, Alfred-Phillippe Roll e Tony-Robert Fleury. Ainda nesta coleção podemos ver obras de José Malhoa, Pedro Peres, Georg Grimm, além dos mestres François René Moraux, Willen Van Der Velde, dentre outros.
ARQUIVO HISTÓRICO
O Arquivo Histórico do Museu Antonio Parreiras abriga documentos e outras fontes primárias como cartas, jornais, recibos, convites, cartões, fotografias, negativos de vidro e impressos que pertenceram a Antonio Parreiras e sua família. Estes objetos fornecem um panorama dos hábitos, costumes e eventos de uma época e registram momentos importantes da história do artista e do próprio museu.
Estão catalogados hoje 1808 manuscritos, 873 fotografias e 264 negativos de vidro.
BIOGRAFIA
Antonio Parreiras nasceu em Niterói, em 20 de janeiro de 1860. Após o falecimento de seu pai, em 1874, deixou os estudos e passou a exercer variadas ocupações no comércio sem que permanecesse por muito tempo nessas funções.
Na busca de sua real vocação, em 1883, foi admitido como aluno na Academia Imperial das Belas Artes, tendo como mestre o célebre pintor paisagista alemão Johann Georg Grimm (1846-1887), que inovou os métodos formais do ensino acadêmico, estimulando os seus alunos a compreender o paisagismo como uma pintura realizada exclusivamente ao ar livre - pintura en plein air.
Logo, em 1884, abandonou a Academia Imperial, acompanhando seu mestre que estabelecera aulas particulares de paisagem na região da Boa Viagem, em Niterói, onde integrou juntamente com Castagneto, França Junior, Driendel, Caron, Pinto Bandeira entre outros, o Grupo Grimm.
Realizou suas primeiras exposições individuais em 1885, em sua própria residência, na Casa De Wilde, no Rio de Janeiro e seguiu expondo sua obra em diversos locais. Antonio Parreiras continuou a apresentar inúmeras exposições bem recebidas pelo público e crítica. Logo após iniciar uma série de excursões na busca do contato direto com a natureza para exercer sua pintura de paisagem em viagens a Cabo Frio e para as serras e florestas fluminenses,entre 1884 e 1888, seguiu para a Europa sem qualquer auxílio oficial, estabelecendo-se em Veneza e frequentando L'Accademia di Belle Arti di Veneza.
Retornou ao Brasil em 1890, participando da Exposição Geral de Belas Artes e sendo nomeado professor de paisagem da recém-reformada Escola Nacional de Belas Artes, onde sedimentava seu interesse latente pela paisagem ao ar livre e pela poética da natureza. Em 1891 abandonou a Cátedra de Paisagem e fundou a Escola ao Ar Livre em Niterói, seguindo os passos do seu mestre Grimm. A seguir, passou a viajar com frequência para São Paulo, onde apresentou importantes exposições e com o sucesso de vendas de suas obras construiu seu palacete em Niterói, com projeto do arquiteto paulista Ramos de Azevedo, onde mais tarde seria fundado o Museu Antonio Parreiras.
Nos primeiros anos do século XX iniciou nova etapa de sua obra, então caracterizada pela pintura histórica e por numerosas encomendas oficiais, viajando por diversas vezes à França, onde manteve ateliê permanente em Paris. A partir de 1906, Antonio Parreiras realiza, por encomenda dos estados brasileiros, numerosas pinturas com temas históricos, como: A Conquista do Amazonas, Proclamação da República de Piratini, Fundação da Cidade de São Paulo, Fundação de Niterói, entre outras.
A partir de 1909 interessou-se pela pintura de nus, obtendo participação nos salões da Societé Nacionale des Beaux Arts,na França, até 1920, chegando a ser nomeado Delegado para a América do Sul. Sucederam-se diversas viagens à Europa, estadas em Paris, encomendas governamentais de pintura histórica e frequentes premiações.
Faleceu em 17 de outubro de 1937, com 77 anos, em sua residência em Niterói.
OBRA
PAISAGEM
No século XIX, a paisagem tornou-se a forma dominante da pintura, iniciando a vanguarda do pensamento plástico europeu, com ênfase na experiência da Escola de Barbizon nos arredores de Paris, a partir das experiências com a luz ao ar livre, que inspiraram o movimento Impressionista.
No Brasil, inicialmente, a paisagem era um gênero menor, tanto no início do período da colonização, quando era preponderantemente religiosa, quanto durante a missão francesa, que considerava esse tipo de pintura romântica inferior à pintura de registro científico botânico e geográfico, como também à pintura histórica e aos retratos.
A formação do Grupo Grimm configurou-se um impacto no meio artístico da época. Tendo Antonio Parreiras como um dos integrantes, o grupo rompe com Academia para estabelecer um estudo de pintura de paisagem ao ar livre. Desse modo, durante aquele período, a pintura en plein air significou um enfrentamento aos cânones defendidos pela Academia, ao mesmo tempo que marcava uma busca pela independência expressiva e atmosfera colorista na intrínseca das cores e luminosidades brasileiras.
HISTÓRIA
Por sugestão do pintor Victor Meirelles, Antonio Parreiras se rendeu à pintura histórica, o que lhe proporcionaria relativa constância de encomendas garantindo certa estabilidade financeira, que por sua vez, concedeu-lhe mais autonomia para que não dependesse das premiações acadêmicas e pudesse viver com independência da sua própria arte.
Em 1898, recebe a encomenda do Presidente da República Campos Salles para o Supremo Tribunal Federal do Rio de Janeiro. Escolhe o tema da Descoberta do Brasil que sempre o sensibilizara e realiza o conjunto chamado Os Desterrados, subdividido nos painéis: A Chegada e A Partida, finalizadas em 1901. Sendo esta sua primeira encomenda oficial de uma pintura de cena histórica feita diretamente pelo presidente Campos Salles, a tela propiciou visibilidade ao artista que logo viria a ter diversas encomendas de telas do mesmo estilo. Realizou obras acerca da Inconfidência Mineira, como o painel Suplício de Tiradentes, em 1901. Neste mesmo período, realizou a tela A Prece, em 1900, entre inúmeras outras que se sucederam.
A concepção que Parreiras tinha da pintura histórica não era exatamente ortodoxa. O pintor propunha um recorte que se distanciava do ideário da história oficial do Brasil, produzindo assim uma crítica e uma visão independentes, que se opunham à dominação colonial, diante de seu olhar republicano. Nas feições e semblantes de seus personagens, percebe-se a intenção de uma abordagem de nossa história refletindo sua visão nacionalista.
Durante as primeiras décadas do século XX recebeu um grande número de encomendas de pinturas históricas, entre elas: A Morte de Estácio de Sá, Prisão de Tiradentes e Proclamação da República, concluídos em 1914. Na década de 20, conclui o Evangelho das Selvas, tema histórico que lhe interessava verdadeiramente. A partir de 1920, dedica-se à produção dos painéis decorativos para o antigo Instituto Nacional de Música, concluídos em 1922.
Pintou em 1924 O Julgamento de Felipe dos Santos para a Assembleia Legislativa Mineira. Na década de 30, realizou com grande dificuldade o tríptico Fundação da Cidade do Rio de Janeiro e terminou Os Invasores, antigo projeto que, por seu conteúdo simbólico e pela execução, resume as melhores características de sua produção no âmbito da pintura histórica.
PINTURA DE GÊNERO / RETRATO
No ano de 1897, Antonio Parreiras começa a explorar em sua pintura a representação da figura, incorporando características do Realismo com a inserção da figura do homem e do trabalhador comum, no tratamento da figura humana em seus quadros históricos.
As pinturas de gênero foram predominantes a partir do ano de 1904. Muitas delas mostram novas questões relativas à maneira de interpretar a natureza e à introdução do elemento animal e da figura como temática principal.
Antonio Parreiras obteve resultados originais em suas pinturas de gênero. Suas pinturas demonstravam vigor, sempre tendo destaque na paisagem mesmo que ao fundo de suas composições.
NUS
Em 1909, na busca de sua afirmação como pintor no circuito europeu, realizou seus primeiros quadros onde se deparou com o desafio do nu na pintura. Das pinturas advindas deste período no gênero, destacam-se: Frineia e Fantasia, que se assemelham com a concepção mais sensual e humanizada da Olímpia de Manet do que com a tradição clássica e idealizante da figura feminina.
Em 1913, apresenta o nu Flor Brasileira, que foi reproduzido em 28.000 cartões postais distribuídos pela Europa. Em 1914, expõe Nonchalance e em 1920 expõe o seu último nu: Modelo em Repouso.
DESENHOS
Estudioso e dedicado à produção artística, Antonio Parreiras realizou diversos desenhos para confecção de suas obras. O acervo do Museu Antonio Parreiras possui uma coleção representativa de seus estudos sobre papel, incluindo as ilustrações do livro autobiográfico “História de Um Pintor Contada por Ele Mesmo”.
SERVIÇOS
PESQUISA
O atendimento é feito mediante agendamento.
BIBLIOTECA
Especializada em artes plásticas, compreendendo o final do século XIX e o século XX, a biblioteca do Museu Antonio Parreiras possui perto de 2.000 títulos, entre livros, periódicos, CDs, DVDs, trabalhos acadêmicos, catálogos de exposições, recortes de jornais e publicações em formato digital.
A essa coleção somam-se os 314 títulos do acervo bibliográfico que pertenceu a Antonio Parreiras. Muitos desses livros trazem dedicatórias de próprio punho dos autores ou de amigos a Antonio Parreiras.
O acervo integra escrituras e livros que ajudam o pesquisador a conhecer a biografia, a obra e as ideias de Antonio Parreiras. Dicionários, obras de história e crítica de arte, além de recortes de jornais da época do pintor oferecem uma gama variada e informações aos interessados.